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Neonazistas usam academias esportivas como fachada para se espalharem pelo mundo

Com origem nos Estados Unidos, grupos de extrema direita adotam academias de artes marciais e clubes de fitness como disfarce para recrutar jovens; expansão já alcança o Canadá, Europa e América Latina.
Neonazistas usam academias esportivas como fachada para se espalharem pelo mundoGettyimages.ru / Stringer

Grupos neonazistas disfarçados de academias de artes marciais e clubes de fitness vêm se proliferando globalmente, ganhando força fora dos Estados Unidos, onde surgiram sob a forma de "clubes ativos".

O Canadá se tornou um dos epicentros dessa expansão e a presença desses grupos ultranacionalistas já preocupa autoridades e especialistas em extremismo, segundo informações do The Guardian.

Na cidade de London, na província de Ontário, o aparecimento recente de um desses clubes marca um novo capítulo em uma história local já marcada por episódios de racismo. A região, parte do chamado cinturão de ferrugem canadense, carrega um histórico de vínculos com a Ku Klux Klan desde a década de 1920 e foi palco, em 2021, do assassinato de uma família paquistanesa-canadense em um crime motivado por ódio racial.

Agora, cidades vizinhas como Toronto e Hamilton também registram manifestações desses grupos, que deixam sua marca em pichações e mensagens criptografadas em redes sociais.

A expansão, no entanto, não se limita ao território canadense. Um relatório recente do Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE) identificou a presença desses clubes ativos em países como Suécia, Finlândia, Reino Unido, Suíça e Austrália.

Pela primeira vez, o fenômeno também chegou à América Latina, com células neonazistas sendo detectadas no Chile e na Colômbia desde 2023.

Inspirados pela estética belicista do Terceiro Reich e pelo hooliganismo europeu contemporâneo, esses grupos utilizam uma aparência de disciplina e vigor físico para disfarçar seu conteúdo ideológico extremista.