Chikungunya se espalha e OMS aponta para risco de surto global

Sinais recentes indicam padrão semelhante ao grande surto de 2004-2005, conforme anunciado pela Organização Mundial da Saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta global nesta terça-feira (23) sobre o risco de uma epidemia de chikungunya, diante da rápida expansão da doença para regiões onde o vírus não circulava anteriormente, conforme informou a imprensa.

De acordo com a organização, sinais precoces observados recentemente se assemelham aos do grande surto ocorrido entre 2004 e 2005, quando cerca de 500 mil pessoas foram infectadas em diferentes continentes.

"Estamos vendo a história se repetir", disse Diana Rojas Alvarez, médica da OMS.

Apesar de pouco conhecida pela maior parte da população, a chikungunya já foi "detectada e transmitida em 119 países", expondo cerca de 5,6 bilhões de pessoas ao risco de contaminação, destacou Alvarez.

O surto atual de chikungunya teve início no começo de 2025, com grandes focos de infecção nas ilhas do Oceano Índico que já enfrentaram a doença no passado, como Reunião, Mayotte e Maurício. Na ilha de Reunião, estima-se que cerca de um terço da população já tenha sido infectada, informou a médica da OMS.

Além disso, o vírus avança para países africanos como Madagascar, Somália e Quênia, enquanto registra transmissão epidêmica no Sudeste Asiático, incluindo a Índia. A Europa também enfrenta preocupação crescente, com cerca de 800 casos importados da doença na França continental desde maio, além de evidências recentes de transmissão local.

Embora a taxa de mortalidade seja inferior a 1%, esse índice pode resultar em um número significativo de mortes quando o total de casos é elevado.

No Brasil, houve uma redução de 64% nos casos registrados nas primeiras dez semanas de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, mostrando um avanço no controle da doença.