Índia reage à pressão da União Europeia sobre petróleo russo

Nova Déli afirmou que sua prioridade é garantir a segurança energética de sua população.

A Índia denunciou as táticas de pressão da União Europeia contra Nova Déli por importar e refinar petróleo russo, argumentando que prioriza sua própria segurança energética.

Quando questionado pela mídia em uma coletiva de imprensa na quarta-feira (23) sobre o 18º pacote de sanções de Bruxelas contra Moscou, que teve como alvo direto uma refinaria indiana, o Secretário de Relações Exteriores, Vikram Misri, afirmou que o bloco precisava ter uma percepção clara da situação energética global.

"Deixamos claro que, no que diz respeito à segurança energética, a maior prioridade do governo da Índia é garantir a segurança energética da população indiana e faremos o que for necessário para isso", afirmou Misri.

"Também em questões relacionadas à energia, como dissemos anteriormente, é importante não ter dois pesos e duas medidas e ter uma percepção clara de como está a situação global no que diz respeito ao mercado energético em geral, onde os fornecedores de bens energéticos estão localizados, de onde virão e quem precisa de energia em que momento", acrescentou.

Ainda na quarta-feira, a Reuters informou que dois navios-tanque não carregaram combustível da refinaria indiana afetada pelas sanções, conforme o previsto.

"Entendemos que há uma questão de segurança importante e séria que a Europa enfrenta, mas o resto do mundo também está envolvido", disse Misri. "Também se trata de questões existenciais para o resto do mundo, e acho importante manter o equilíbrio e a perspectiva ao falar sobre essas questões".

Moscou emergiu como o principal fornecedor de petróleo da Índia desde a escalada do conflito na Ucrânia em fevereiro de 2022, respondendo por quase 40% das importações de petróleo bruto da Índia. Nova Déli, paralelamente, tornou-se uma grande exportadora de combustíveis refinados para a Europa desde 2023.