Justiça condena médico a 43 anos de prisão por crimes sexuais

Profissional agia dentro do hospital e se aproveitava da vulnerabilidade das vítimas, segundo o Ministério Público

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais condenou o médico Danilo Costa a 43 anos de prisão por crimes sexuais contra seis mulheres — entre elas, pacientes e funcionárias de um hospital em Itabira, na Região Central do estado. Ele também deverá pagar R$ 1,3 milhão em indenizações por danos morais, com valores individuais que variam de R$ 100 mil a R$ 400 mil, conforme divulgou o G1.

A Justiça determinou que ele não poderá recorrer em liberdade e manteve a prisão preventiva. Cabe recurso, mas o médico permanece preso desde fevereiro deste ano.

Abusos ocorreram dentro do hospital, diz investigação

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, Danilo Costa se aproveitava da vulnerabilidade das pacientes durante as consultas. Funcionárias também denunciaram toques e falas inapropriadas, além de agressões físicas, como agarrões em escadas, corredores e no consultório.

A investigação apontou um padrão nos crimes: o médico agia quando o hospital estava vazio, sem testemunhas presentes.

Juíza classificou conduta como "extremamente reprovável"

A juíza Dayane Rey Silva afirmou que a conduta de Costa foi "especialmente censurável", já que as vítimas estavam em situação de confiança e dependência técnica durante os atendimentos.

Ela também destacou que os crimes deixaram impactos graves na saúde física e mental das vítimas, exigindo acompanhamento psicológico e médico.

Réu nega acusações; MP vai recorrer

Danilo Costa foi indiciado por estupro, importunação sexual, violação sexual mediante fraude e assédio sexual. Ele nega todas as acusações. Seu advogado, Ramon Santos Gomes, disse que o processo corre em segredo de Justiça e preferiu não comentar.

O Ministério Público informou que vai recorrer pedindo aumento da pena.

Mais mulheres denunciaram o médico

Segundo a promotora Marianna Michieletto da Silva, mais de 10 mulheres já denunciaram o médico. Um novo processo envolvendo pelo menos cinco novas vítimas poderá ser aberto nos próximos meses.

A advogada de três vítimas, Núbia Citty, afirmou em nota que a decisão representa um avanço:

"O recado já foi dado: não foram meros equívocos ou condutas éticas discutíveis, foram crimes sexuais, e a Justiça tratou como tal."