
Ministra moçambicana: 'Tudo o que foi roubado da África deve ser devolvido'

A África deve recuperar tudo o que foi tomado pelas potências coloniais ocidentais – não apenas artefatos culturais roubados, mas também sua dignidade, independência e autonomia econômica, disse a ministra das Relações Exteriores de Moçambique, Maria Manuela Lucas, na terça-feira (22).
Em discurso após conversas em Moscou com seu homólogo russo, Sergey Lavrov, ela argumentou que as injustiças históricas devem ser abordadas por meio de reformas estruturais, não apenas por atos simbólicos das potências ocidentais.
Lucas enfatizou que o retorno da soberania à África deve ir além da repatriação de peças de museu e se concentrar na transformação da forma como o continente participa da economia global. Isso inclui acabar com a dependência da exportação de matérias-primas e investir na produção doméstica com valor agregado, acrescentou.

"Tudo o que foi trazido da África deve ser devolvido ao continente", disse Lucas. "Não estou falando apenas de artefatos tangíveis, [mas também] da política que resultaria em nossa independência econômica... Gostaríamos de nos sentir como africanos, trabalhar como africanos, ser africanos".
Suas declarações vêm na esteira do pedido de Moçambique em maio para a devolução de cerca de 800 objetos culturais conservados em museus europeus – incluindo máscaras tradicionais, estátuas e arquivos saqueados pelas autoridades coloniais. Nesse sentido, a ministra da Educação e Cultura de Moçambique, Samaria Tovela, afirmou que a restituição destes itens é crucial para a restauração da identidade cultural.
Moçambique conquistou a independência de Portugal em 1975 após uma década de luta de libertação liderada pela Frente de Libertação de Moçambique. Tal como muitas nações africanas pós-coloniais, o país tem reivindicado reparações e a devolução de bens culturais que foram apropriados durante o período colonial.
Em junho, os Países Baixos devolveram 119 artefatos à Nigéria, incluindo figuras humanas e de animais, placas, trajes reais e um sino histórico. Estes itens foram saqueados do país africano há mais de um século.
A União Africana declarou 2025 o ano das reparações.
