O oficial militar aposentado dos Estados Unidos, Erik Prince, fundador da empresa de segurança Blackwater (recentemente renomeada para Academi), criticou a política recente de seu país em relação à América Latina, mas expressou confiança no atual governo de Donald Trump.
"Acho que os EUA estão adormecidos em muitos de seus países vizinhos", afirmou em entrevista ao jornal peruano El Comercio, publicada nesta terça-feira (22). A declaração foi feita ao ser questionado sobre o quanto Washington estaria preocupado com a crescente influência da China na região.
Embora tenha evitado mencionar diretamente Pequim, ele criticou o papel da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no impulso do capitalismo.
"Muitas das tolices promovidas pelos programas da USAID eram quase contrárias à promoção do comércio e do capitalismo. Em vez disso, incentivavam todo tipo de desvios sociais. Mas agora, a administração Trump está definitivamente voltando a focar no comércio, na energia e nos minerais, nos produtos manufaturados e nos produtos agrícolas", disse.
Seu papel
Ao ser questionado sobre sua visita ao Peru, que termina nesta terça-feira, ele destacou que estão em condições de "oferecer ferramentas melhores" do que as disponíveis para quadrilhas e narcotraficantes internacionais, em uma possível nova aliança com um governo da região.
"Uma das nossas especialidades é fornecer informações e treinamento, além das ferramentas necessárias para ajudar os governos a combater de forma eficaz as ameaças criminosas multinacionais, devido ao dinheiro que elas geram", afirmou. "No Peru há uma situação complexa, mas que tem solução", declarou.
Ao comentar o acordo firmado em março com o presidente do Equador, Daniel Noboa, ele afirmou que o país sul-americano "solicitou assistência para ajudar suas forças de segurança a combater de forma mais eficaz as quadrilhas do narcotráfico".
"No caso do Haiti, o governo nos pediu ajuda para enfrentar as gangues, porque enfrentam um problema grave: as quadrilhas tomaram 90% de Porto Príncipe. Por isso, trabalhamos com a Polícia haitiana e, por meio dela, fornecemos as ferramentas e a capacidade necessárias para combater as gangues de forma mais eficaz", explicou.
Por fim, Prince destacou a "mudança impressionante" vivida em El Salvador e considerou "interessante observar como enfrentaram o problema das quadrilhas criminosas".
Empresário ou mercenário? A sombria história do fundador da Blackwater, Erik Prince. Leia no nosso artigo.