O Exército dos Estados Unidos publicou em suas redes sociais um vídeo no qual exibe um drone lançando uma granada, com o intuito de destacar uma suposta inovação tecnológica. No entanto, a postagem rapidamente se tornou alvo de zombarias por parte dos usuários e acabou expondo a defasagem das Forças Armadas norte-americanas frente às atuais tendências no campo de batalha, segundo o portal The War Zone.
"Você já viu um drone lançar uma granada?", dizia a publicação da conta oficial do Exército dos Estados Unidos, que posteriormente foi apagada.
"Veja soldados do Comando de Treinamento do 7º Exército, do Grupo Multinacional de Treinamento Conjunto-Ucrânia [JMTG-U] e da [173ª Brigada Aerotransportada] executarem o primeiro lançamento real de granada do Exército a partir de um sistema aéreo não tripulado na Área de Treinamento de Grafenwöhr, na Alemanha", acrescentava o texto.
Em um vídeo anexado, era possível ver tropas carregando granadas de fragmentação M67 padrão, assim como granadas de treinamento inertes M69, em pequenos drones do tipo quadricóptero equipados com mecanismos para lançá-las.
"O objetivo deste treinamento é mais voltado para a inovação, trata-se de fazer coisas que ainda não fizemos antes, de ir além do que atualmente somos capazes", declarou o coronel do Exército Donny Hebel, chefe do JMTG-U.
"A resposta à pergunta 'você já viu um drone lançar uma granada?' é um sonoro 'sim' para qualquer um que tenha acompanhado esse tipo de desenvolvimento na última década", afirma a nota do The War Zone em tom irônico.
Desconexão com a realidade no campo de batalha
Nesse contexto, chama atenção o fato de que, já em 2016, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) utilizava esse tipo de recurso durante a batalha de Mossul, no Iraque. Tanto o EI quanto outros grupos extremistas utilizaram drones para lançar munições, inclusive contra forças norte-americanas posicionadas na Síria.
O uso dessa tática se expandiu posteriormente para o Afeganistão e, mais recentemente, ganhou destaque no conflito na Ucrânia, cenário que evidenciou o papel central dos drones nas dinâmicas de combate moderno.
O portal também relembra uma declaração feita em 2022 por um alto oficial dos Estados Unidos, que já demonstrava preocupação com o preparo do Exército diante dessas ameaças.
"[No Afeganistão, Iraque e Síria] eu nunca precisei olhar para o céu, porque os EUA sempre mantiveram a superioridade aérea e nossas forças estavam protegidas graças à cobertura aérea", afirmou o então chefe do Comando de Operações Especiais (SOCOM), o general aposentado Richard Clarke.
"Mas agora, com todo tipo de dispositivos, desde pequenos quadricópteros até veículos aéreos não tripulados (UAVs) de grande porte, nem sempre teremos esse luxo", informou.