Governo Trump libera 230 mil documentos do FBI sobre morte de Martin Luther King Jr.

Família de King pede que documentos sejam analisados com cautela e contexto histórico completo.

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (21) cerca de 230 mil documentos relacionados ao assassinato de Martin Luther King Jr. O anúncio foi feito pela diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, que afirmou que os arquivos já estão disponíveis no site dos Arquivos Nacionais.

A documentação inclui registros da investigação conduzida pelo FBI, apontamentos sobre possíveis pistas e memorandos internos da agência. Há também relatos que envolvem James Earl Ray, condenado pela morte do líder dos direitos civis, e um ex-companheiro de cela que teria ouvido dele detalhes sobre um suposto plano de assassinato.

King foi morto em Memphis, no estado do Tennessee, em 4 de abril de 1968, aos 39 anos. Pastor batista e um dos nomes mais emblemáticos na luta contra a segregação racial nos Estados Unidos, ele foi baleado quando estava na sacada do Motel Lorraine.

As autoridades identificaram James Earl Ray como o autor do disparo, após encontrarem sua digital no rifle abandonado nas proximidades. Ray, um fugitivo da prisão, se declarou culpado no ano seguinte para evitar a pena de morte e recebeu sentença de 99 anos. Ele morreu na prisão em 1998.

Com a liberação dos documentos, a família de King pediu que o conteúdo seja analisado com responsabilidade. Em nota, divulgada pelo ABC News, os familiares afirmaram que o pastor foi alvo de uma campanha coordenada de desinformação.

"Durante a vida do nosso pai, ele foi alvo constante de uma campanha invasiva, predatória e profundamente perturbadora de desinformação e vigilância orquestrada por J. Edgar Hoover através do FBI", declarou a família.

Segundo eles, o objetivo do Programa de Contrainteligência (Counter Intelligence Program, COINTELPRO, em inglês) era "não apenas monitorar, mas desacreditar, desmantelar e destruir" a imagem de King e o movimento pelos direitos civis.

Os familiares também disseram que vão avaliar se os arquivos trazem novos elementos além dos já conhecidos. "Condenamos fortemente qualquer tentativa de usar esses documentos para minar o legado do nosso pai e as conquistas significativas do movimento", afirmou a nota.