Em meio ao aumento das tensões geopolíticas, a principal agência de contraespionagem da China, o Ministério da Segurança do Estado, emitiu nesta segunda-feira (21) um alerta à população sobre riscos de vazamento de dados por meio de "portas dos fundos" técnicas em chips, softwares e dispositivos inteligentes importados, informou a agência de notícias South China Morning Post.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o órgão afirmou que falhas intencionais no design de produtos estrangeiros permitem espionagem, roubo de informações e até a ativação remota de câmeras e microfones — o que classificou como uma ameaça à segurança nacional.
A preocupação é que esses mecanismos, incorporados ainda na fase de fabricação, possam ser usados para acessar de forma clandestina sistemas operando em áreas estratégicas, comprometendo a integridade da infraestrutura nacional.
Além do risco imediato de perda de dados, as chamadas portas dos fundos podem ser exploradas ao longo do tempo como ferramenta de influência e controle, afetando a soberania tecnológica do país.
Por isso, o ministério recomendou que profissionais em funções sensíveis adotem preferencialmente chips e sistemas operacionais desenvolvidos na China. Também sugeriu atualizações constantes, monitoramento de registros e análise de tráfego anormal em equipamentos.
Guerra tecnológica com EUA
O alerta ocorre em meio à escalada na rivalidade com os Estados Unidos, que impuseram sanções a semicondutores chineses, enquanto Pequim retaliou com restrições à exportação de minerais usados em baterias.
Neste ano, grupos de cibersegurança ligados ao governo chinês denunciaram a empresa americana Intel por apresentar "falhas frequentes e altas taxas de erro". A companhia negou as acusações, mas o episódio reforçou a campanha de Pequim por maior autonomia no setor.
Apesar de avanços na indústria local de semicondutores, a China ainda depende de importações para obter chips de alto desempenho. No primeiro semestre de 2024, o país comprou mais de 549 bilhões de circuitos integrados — aumento de quase 15% em relação ao mesmo período de 2023 — totalizando mais de US$ 191 bilhões.
Nos últimos meses, a Nvidia recebeu aval de Washington para retomar a venda de seus chips H20, voltados à inteligência artificial, ao mercado chinês. A decisão foi interpretada como um gesto de flexibilização, motivado pelo interesse dos EUA em manter o acesso a minerais de terras raras.