Uma investigação do jornal britânico The Guardian, em parceria com os veículos independentes Disclose e Follow the Money, revelou que a MBDA, maior fabricante de mísseis da Europa, fornece componentes essenciais para as bombas GBU-39, utilizadas por Israel em ataques aéreos na Faixa de Gaza que causaram a morte de civis palestinos, incluindo crianças.
As peças são produzidas em uma fábrica da MBDA no Alabama, Estados Unidos, e os lucros passam pelo Reino Unido até chegar à sede da empresa na França.
Fabricadas pela Boeing, as GBU-39 tornaram-se um dos principais armamentos usados nos bombardeios israelenses contra a população de Gaza.
A MBDA é responsável pelas "asas" que se abrem após o lançamento, permitindo que o projétil seja guiado com precisão até o alvo.
Crianças são alvo de bombas
A investigação, com base em análises de especialistas em armamentos e dados de fontes abertas, identificou ao menos 24 ataques israelenses com uso dessas bombas em escolas, campos de refugiados e áreas residenciais — muitos deles à noite e sem aviso prévio.
Todos os ataques resultaram em mortes de civis, incluindo menores de idade.
Organizações como a Anistia Internacional e as Nações Unidas apontam que alguns desses bombardeios podem configurar crimes de guerra, devido ao tipo de alvo atingido e à quantidade de vítimas civis.
Enquanto isso, o envio das bombas a Israel continua por meio do programa de ajuda militar dos Estados Unidos, que oferece subsídios e empréstimos para a aquisição de armamentos.