A Rússia se reserva o direito de atacar instalações militares localizadas em países que autorizarem o uso de suas armas pelo regime de Kiev contra o território russo, afirmou nesta quinta-feira (17) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova.
Em coletiva de imprensa, Zakharova declarou que o uso de armamentos de longo alcance por parte da Ucrânia só é possível com envolvimento direto dos países que os produzem.
Ela ressaltou que, caso a Rússia seja alvo de mísseis Taurus, de fabricação alemã, as Forças Armadas da Alemanha estarão diretamente envolvidas no ataque.
Zakharova destacou ainda que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já havia deixado clara a posição de Moscou diante da decisão de países ocidentais de autorizar Kiev a utilizar sistemas de longo alcance contra alvos em território russo.
"Essa posição permanece inalterada. A Rússia se considera no direito de usar suas armas contra instalações militares nos países que permitirem que suas armas sejam utilizadas contra nós. Em caso de nova escalada do conflito, responderemos de forma decisiva e recíproca", afirmou.
O aviso de Putin
Em setembro do ano passado, Vladimir Putin declarou que a autorização para a Ucrânia usar armamentos ocidentais contra território russo reconhecido internacionalmente equivaleria a uma declaração de guerra da OTAN contra a Rússia.
"Se esta decisão for tomada, significará nada menos que o envolvimento direto dos países da OTAN[...] na guerra na Ucrânia. Isso é envolvimento direto", disse o presidente. "E, nesse caso, com o objetivo de mudar a natureza do conflito, tomaremos a decisão apropriada com base nas ameaças que nos forem impostas", concluiu.
Reportagens anteriores indicavam que o governo Trump havia cogitado o envio de mísseis de longo alcance à Ucrânia, com capacidade de atingir Moscou ou São Petersburgo. No entanto, na última terça-feira (15), o presidente dos Estados Unidos afirmou que Washington não tem esse plano.