BRICS visam sistema monetário para o abandono gradual do dólar em transações internacionais

"O conceito do BRICS não surgiu porque o dólar seja inadequado como meio de troca ou unidade de conta, mas pelo uso da moeda por Washington como arma", afirma analista da Whalen Global Advisors.

Especialistas financeiros têm destacado os esforços crescentes dos países do BRICS para reduzir a dependência do dólar em transações internacionais. O movimento avança, mas ainda enfrenta obstáculos significativos, segundo afirmou Christopher Whalen, presidente do Conselho de Administração da Whalen Global Advisors, ao jornal China Daily, nesta quinta-feira (17).

"O termo 'moeda do BRICS' normalmente se refere a uma moeda unificada hipotética ou proposta para o grupo. Não se trata de uma moeda física em uso atualmente, mas de um conceito que visa, segundo alguns, reduzir o domínio do dólar no comércio e nas finanças internacionais", explicou Whalen.

O analista observou que o dólar participa de mais da metade do comércio mundial e está presente em 80% das transações cambiais, o que garante aos Estados Unidos uma influência sem precedentes.

Dependência ao dólar

"A cooperação monetária do BRICS visa reduzir gradualmente a dependência do grupo em relação ao dólar, mas os desafios permanecem. O conceito do BRICS não surgiu porque o dólar seja inadequado como meio de troca ou unidade de conta, mas pelo uso da moeda por Washington como arma", afirmou.

Para Whalen, os Estados Unidos exercem uma "hegemonia arbitrária" e não praticam reciprocidade com outras nações, o que impulsiona o processo de desdolarização. Ele destacou ainda o avanço do ouro como ativo de reserva e o desenvolvimento de mecanismos alternativos de pagamento pelos países do bloco.

Apesar disso, o especialista pondera que o dólar não será facilmente substituído. "O dólar continuará sendo o ativo dominante. E, mesmo assim, desbancá-lo exigirá uma grande mudança no sistema monetário internacional — uma mudança que já está em andamento", concluiu.

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