
Petro diz que Colômbia 'deve deixar OTAN' e anuncia embargo militar a Israel por ações em Gaza

Durante discurso nesta quarta-feira (16), na cúpula do Grupo de Haia realizada em Bogotá, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, sugeriu a retirada de seu país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), ao aunciar um embargo militar contra Israel. Ele também defendeu o direito de rebelião do povo palestino, conforme publicado pela TeleSUR.
As declarações marcaram o tom mais duro do líder colombiano contra o apoio ocidental à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza.

Questionando a postura global sobre as ações israelenses, ele indicou: "Da Otan devemos sair, não há outro caminho. E a relação com a Europa não pode já passar com povos que ajudam, povos não, porque os povos europeus não ajudam. Com governos europeus que traem seu próprio povo e estão ajudando a jogar bombas".
Embora o país não seja membro pleno da aliança militar, a Colômbia é atualmente o único país sul-americano a ser "sócio global" da organização, formalizando seu ingresso em 2017. O status permite que Bogotá participe de cooperações de defesa e segurança com a OTAN.
Ao falar sobre os palestinos, Petro enfatizou que eles possuem "o direito de se rebelar porque suas terras foram ocupadas". "Vivemos Gaza em nosso sangue; também fomos invadidos. E sim, podemos criticar o Hamas, mas não o povo palestino", disse.
Petro comparou a ocupação da Palestina com intervenções históricas em seu próprio país.
"Nossas terras colombianas também foram ocupadas pelos espanhóis. [...] A rebelião não é crime", reforçou.
Embargo contra Israel
Na conclusão da cúpula, o Grupo de Haia, integrado por países do Sul Global, endossou um embargo militar coordenado contra Israel. A medida suspende o comércio de armas, equipamentos militares, combustível e apoio logístico, além de impor restrições a navios envolvidos no transporte de armamentos.
Mauricio Jaramillo, vice-ministro colombiano, ressaltou que o embargo visa "coibir crimes de guerra e demonstrar que o Sul Global pode agir com dignidade". O documento também solicita à ONU uma investigação urgente sobre a crise humanitária em Gaza, com foco no colapso dos sistemas de saúde e nutrição.
A resolução contou com apoio Colômbia, Cuba, Bolívia, Nicarágua, África do Sul, Indonésia, Malásia, Iraque, Líbia e São Vicente e Granadinas, entre outros.
