Durante sua visita a Magnitogorsk nesta quarta-feira (16), o presidente russo Vladimir Putin afirmou que os esforços para elevar a taxa de natalidade no país ainda são insuficientes.
Segundo ele, as russas estão tendo o primeiro filho por volta dos 28 a 29 anos, e muitas vezes "não têm forças" para um segundo ou terceiro. "Não há na vida maior felicidade do que os filhos. Nisso está, de fato, todo o sentido da vida", acrescentou, citado pela imprensa local.
Putin defendeu a criação de uma política unificada de apoio à natalidade, abrangendo o período da gravidez até os 17 anos da criança.
Na mesma ocasião, a vice-premiê Tatyana Golikova relatou ao presidente um aumento no número de recém-nascidos do sexo masculino em comparação às meninas. Segundo ela, a resposta ao problema estaria no incentivo à multiplicidade de filhos por família.
As declarações ocorrem em meio à apresentação de propostas inusitadas, por parte de parlamentares e autoridades russas, para incentivar a natalidade. Uma delas prevê a criação de um "Ministério do Sexo", proposta enviada à deputada da Duma Estatal, Nina Ostanina.
Entre outras medidas sugeridas para estimular a natalidade estão:
- Corte de internet e luz entre 22h e 2h da manhã para casais sem filhos, com o objetivo de incentivar atividades íntimas entre casais nesse horário. O projeto feito pelo deputado Mikhail Ivanov e ridicularizado pela Duma Estatal.
- Incentivo financeiro para mães que optarem por não trabalhar fora, com o tempo dedicado ao cuidado dos filhos podendo ser considerado no cálculo da aposentadoria;
- Subsídio governamental para primeiros encontros, com valores de até 5 mil rublos;
- Financiamento de noites de núpcias em hotéis.
Além dos incentivos fiscais já aprovados em nível federal, medidas regionais também começaram a avançar. Em Krasnoyarsk, por exemplo, mães de até 23 anos podem receber cerca de R$ 7.116 por filho. Já em Chelyabinsk, o valor pago pelo nascimento do primeiro filho de mães na mesma faixa etária é significativamente maior: aproximadamente R$ 71.153, informa o portal Pravda.
Além disso, o parlamento russo vem debatendo uma lei que proíbe e pune a promoção do estilo de vida sem filhos (ou child-free). De acordo com Vyacheslav Volodin, presidente da Duma Estatal, a proposta prevê multas equivalentes a milhares de dólares para quem divulgar, em filmes, publicidade ou na internet, conteúdos que estimulem "uma recusa consciente de ter filhos".
As ações fazem parte de uma tentativa do governo de reverter a tendência de queda populacional, que se agravou nos últimos anos.