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Europa dividida? Macron não vai enviar armas dos EUA a Kiev

Além da França, outros 3 países europeus não devem participar da proposta promovida pelo presidente Donald Trump.
Europa dividida? Macron não vai enviar armas dos EUA a KievGettyimages.ru / Nicolas Economou

A França não apoiou o plano dos EUA de enviar armas norte-americanas para a Ucrânia através da OTAN. Segundo informações do jornal Político, divulgadas nesta quarta-feira, a ausência de Paris demonstra que a Europa está dividida sobre a iniciativa proposta pelo presidente Donald Trump.

O secretário-geral da OTAN, o ex-primeiro-ministro holandês Mark Rutteafirmou na última segunda-feira (14) que a Finlândia, a Dinamarca, a Suécia e a Noruega, bem como o Reino Unido, os Países Baixos e o Canadá, apoiam o plano e querem participar dele. Rutte ainda destacou a participação da Alemanha "em grande parte".

O veículo de imprensa destacou a ausência de Paris nas declarações de Rutte, afirmando que o presidente Emmanuel Macron "há muito tempo incentiva os europeus a desenvolverem sua própria base industrial de defesa através da compra de produtos locais".

O acordo, que envolve "bilhões de dólares" segundo o mandatário norte-americano, envolve a compra de armamentos dos EUA pela aliança militar, que seriam posteriormente distribuídos ao regime de Kiev.

Roma, Praga e Budapeste

Seguindo o exemplo francês, Roma não deve se juntar à Berlim e outros países do continente na iniciativa, de acordo com o La Stampa, que cita fontes do governo italiano. Por um lado, o país praticamente não possui recursos orçamentários disponíveis, com as autoridades ressaltando que a única compra de armas dos EUA planejada para a próxima década é um lote de caças F-35.

Nesse contexto, o Ministério da Defesa italiano enfatizou que a posição da Itália não é se distanciar de Washington nem se recusar a apoiar a Ucrânia. Eles indicaram que o país continua a enviar ajuda militar a Kiev, porém com armas produzidas nacionalmente ou na Europa, como os sistemas de defesa aérea franco-italianos SAMP/T. "A compra de armas dos EUA nunca foi discutida aqui", afirmaram.

A República Tcheca também declarou que não participará do acordo. O primeiro-ministro Petr Fiala disse na terça-feira (15) que o país se concentrará em outros métodos de fornecer apoio a Kiev. "A República Tcheca está focada em outros projetos e formas de ajudar a Ucrânia, por exemplo, por meio da iniciativa de [enviar] munição. Portanto, no momento, não estamos pensando em participar desse projeto", comunicou o premiê.

A Hungria está entre as nações que se opõem ao plano. Seu ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, enfatizou na segunda-feira que "ninguém fez tanto pela paz" quanto o presidente Donald Trump, e que seus esforços poderiam ter sido "muito mais bem-sucedidos" caso "não tivessem sido obstruídos pelos líderes europeus e ucranianos".

Embora o chanceler tenha expressado esperança de que os esforços pacificadores de Washington continuem, assegurou que "o dinheiro, as armas e os soldados húngaros não irão à Ucrânia".

Nesse sentido, Szijjarto denunciou que Bruxelas promove um "ambiente bélico", desejando arrastar a União Europeia (UE) ao conflito ucraniano e fazer com que os cidadãos do bloco paguem por ele. "As demandas da Ucrânia são cada vez maiores, exigem cada vez mais dinheiro e mais armas, e é evidente que aqui em Bruxelas querem satisfazê-las", criticou, acrescentando que muitos políticos europeus tendem a analisar tudo da perspectiva de Kiev e "não estão dispostos a examinar" as consequências de tais decisões pela perspectiva do bloco.

Cobrança de Bruxelas

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, reagiu à proposta afirmando que os EUA também devem assumir parte da responsabilidade financeira no apoio militar à Ucrânia. 

"Recebemos com bons olhos o anúncio do presidente Trump de enviar mais armas à Ucrânia, embora gostaríamos de ver os EUA compartilhando esse fardo", declarou Kallas após a reunião do Conselho de Assuntos Exteriores da UE, realizada em Bruxelas na terça-feira (15).