Países da União Europeia terão que usar orçamento nacional para comprar armas para Ucrânia

"Os tratados do bloco não permitem que o financiamento da UE seja usado para compras de armas dos EUA para a Ucrânia", revelou comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, à Bloomberg.

As regras da União Europeia não permitem o uso direto do orçamento do bloco para a compra de armas norte-americanas destinadas ao regime ucraniano. Por isso, os países terão de recorrer a verbas nacionais, inclusive recursos recebidos da UE, afirmou no comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, em entrevista à Bloomberg divulgada nesta terça-feira (15).

"Os tratados do bloco não permitem que o financiamento da UE seja usado para compras de armas dos EUA para a Ucrânia", disse Kubilius. Ele sugeriu que os países possam ser incentivados a recorrer a um fundo de empréstimo de 150 bilhões de euros para compras conjuntas, liberando assim verbas nacionais para aquisições com fornecedores dos Estados Unidos.

Kubilius calcula que os recursos da União Europeia representem cerca de 1/40 dos gastos nacionais com defesa no próximo ciclo orçamentário.

Segundo a Bloomberg, as decisões tornam-se ainda mais difíceis diante do esforço de vários governos do bloco para conter o avanço da dívida pública.

Proposta de Trump

A proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de que países europeus financiem a compra de sistemas de defesa Patriot e outros armamentos para o regime de Kiev provocou uma reação direta da União Europeia.

A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que os Estados Unidos também devem assumir parte da responsabilidade financeira no apoio militar à Ucrâniainformou o jornal norte-americano Politico.

"Se você promete fornecer armas, mas diz que outra pessoa pagará por elas, não foi você quem realmente as forneceu, certo?", perguntou Kallas. 

Quais países se recusaram?

governo francês não apoiou a proposta. Segundo o site Politico, o presidente Emmanuel Macron defendeu o fortalecimento da indústria de defesa europeia, com foco na produção local.

Itália também recusou a participação, alegando restrições orçamentárias. De acordo com o jornal La Stampa, Roma não seguirá o exemplo da Alemanha, que anunciou a compra de sistemas Patriot dos EUA para envio à Ucrânia.

República Tcheca foi outro país a rejeitar o plano. O premiê Petr Fiala disse que Praga dará prioridade a outras formas de apoio, como o envio direto de munição.

Outro país que se manifestou contra isso foi a Hungria. Como observou o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, Budapeste não financiará tais suprimentos.