Notícias

União Europeia cobra que Trump divida custos de envio de mísseis à Ucrânia

Para Kaja Kallas, o apoio americano deve ser proporcional ao esforço europeu.
União Europeia cobra que Trump divida custos de envio de mísseis à UcrâniaGettyimages.ru / Jonathan Raa/NurPhoto

A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que países europeus financiem a compra de sistemas de defesa Patriot e outros armamentos para o regime de Kiev provocou uma reação direta da União Europeia.

A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que os Estados Unidos também devem assumir parte da responsabilidade financeira no apoio militar à Ucrânia, informa o jornal norte-americano Politico.

"Recebemos com bons olhos o anúncio do presidente Trump de enviar mais armas à Ucrânia, embora gostaríamos de ver os EUA compartilhando esse fardo", afirmou Kallas após a reunião do Conselho de Assuntos Exteriores da UE, realizada em Bruxelas nesta terça-feira (15).

A iniciativa de Trump foi apresentada durante uma reunião com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, na Casa Branca. 

O plano prevê que os países aliados da aliança atlântica adquiram armamentos produzidos pela indústria de defesa norte-americana, enquanto Washington atuaria como fornecedor, mas não como financiador.

Durante o encontro, Trump estimou os custos em "bilhões de dólares", e Rutte classificou o plano como um indicativo de que a Europa está "assumindo responsabilidades".

No entanto, Kallas enfatizou que o apoio ao regime de Kiev deve ser proporcional entre os aliados. "Se estamos pagando por essas armas, isso já é o nosso suporte. Nossa posição é que todos devem fazer o mesmo", declarou.

A diplomata não descartou a ideia de utilizar ativos russos congelados para financiar a compra de armamentos, mas reconheceu que ainda há divergências internas no bloco sobre o tema:

"Temos diferentes visões sobre os ativos congelados, mas é importante que todos escutem uns aos outros. Os nossos contribuintes querem saber por que a Rússia ainda não está pagando pelos danos que causou", afirmou.

Reações mistas: 

Entre os Estados-membros, a proposta norte-americana foi recebida com cautela. O ministro das Relações Exteriores da Holanda, Caspar Veldkamp, declarou que seu governo está estudando a viabilidade do modelo proposto por Trump.

"A Holanda já faz muito, mas vamos analisar o que podemos fazer diante do anúncio e tomar uma decisão com base nisso", disse.

Na Dinamarca, o chanceler Lars Lokke Rasmussen comparou o plano a uma versão alternativa do modelo dinamarquês, em que Copenhague compra armamentos diretamente de fornecedores ucranianos.

Segundo ele, os detalhes ainda precisam ser discutidos, mas a sinalização dos Estados Unidos é positiva. "Pode ser que a Ucrânia compre diretamente, ou que o pagamento vá aos EUA. O essencial é que haja disposição para entregar essas armas tão necessárias", afirmou.

A República Tcheca também não descartou aderir à proposta. O ministro Jan Lipavsky reconheceu que o país já participa de diversos mecanismos de ajuda militar, mas admitiu que o cenário pode mudar. "Ainda é cedo para dizer se vamos nos envolver. Não há discussão no momento, mas isso pode evoluir", disse.

O jornal norte-americano pontuou que alguns diplomatas alertam que, com a meta de fortalecer a indústria de defesa europeia até 2030, os países da UE podem acabar mais dependentes das armas fabricadas pelos Estados Unidos.

Lipavsky, por sua vez, descartou fazer previsões de longo prazo. "Estamos focados nas lacunas imediatas da defesa aérea da Ucrânia. Comparar isso com planos de defesa europeia mais amplos seria inadequado neste momento", concluiu.