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Bolsonaro critica Lula por visitar a Rússia no aniversário da vitória contra o nazismo

Declaração foi feita durante entrevista ao Poder360 e contrasta com visita de Bolsonaro à Rússia em 2022.
Bolsonaro critica Lula por visitar a Rússia no aniversário da vitória contra o nazismoGettyimages.ru / Anna Moneymaker

O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou nesta terça-feira (15) a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Rússia durante o desfile do Dia da Vitória, celebrado anualmente em Moscou.

Em entrevista ao portal Poder360, Bolsonaro atacou a participação de Lula ao lado de líderes estrangeiros e ironizou seu discurso patriótico.

"O Lula apaixonado pelo verde e amarelo, ao lado de ditadores?", disse. "Um dos motivos dessas ações [tarifas de Trump] também foi o Lula estar lá na Rússia, no Dia da Vitória, em vez de estar no Aterro do Flamengo, estava lá ao lado de ditadores e criminosos de guerra", afirmou Bolsonaro.

A alusão ao Aterro do Flamengo se deve ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, localizado no bairro da capital carioca. Lá, são realizadas tradicionais homenagens no mês de maio.

Ainda durante a entrevista, Bolsonaro questionou o uso da ideia de patriotismo por parte do presidente. "O Lula falar em patriotismo? Ora, meu Deus do céu, vamos supor que tem uma sanção em cima da Venezuela agora. O povo deve ir às ruas defender o Maduro?", disse, em referência as sanções americanas contra Caracas.

Contradição?

A crítica de Bolsonaro contrasta com sua própria visita à Rússia em fevereiro de 2022, às vésperas do início do conflito ucraniano. Posteriormente, ele chegou a afirmar que sem Moscou e os fertilizantes obtidos naquela viagem, o povo brasileiro passaria fome.

Durante o encontro, Bolsonaro declarou em coletiva de imprensa que o Brasil era "solidário à Rússia" e afirmou que ambos os países tinham muito a colaborar nas áreas de defesa, energia e agricultura.

Ele também agradeceu a Putin por vetar propostas discutindo a internacionalização da Amazônia no Conselho de Segurança da ONU, e afirmou que o gesto havia salvado a soberania do Brasil.