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Maioria dos brasileiros não vê necessidade de maior aproximação com a Ucrânia

Levantamento ouviu quase três mil populares de diferentes perfis sociodemográficos.
Maioria dos brasileiros não vê necessidade de maior aproximação com a Ucrânia© Ricardo Stuckert/PR

A AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, divulgou nesta terça-feira (15) os resultados de uma pesquisa realizada entre os dias 7 e 13 de julho com 2.841 brasileiros. O levantamento indica que, para a maioria dos entrevistados, o Brasil mantém com a Ucrânia um nível de relação considerado adequado — ou seja, não haveria necessidade nem de maior aproximação, nem de distanciamento em relação ao regime de Kiev.

Para 53% dos participantes, o governo está "tão próximo como deveria" de Kiev. Outros 41% avaliam que o país está "menos próximo do que deveria", enquanto 6% afirmam que está "mais próximo do que deveria".

O estudo ouviu homens e mulheres em proporções praticamente equilibradas: 50,1% e 49,9%, respectivamente. A faixa etária mais representada foi a de 45 a 59 anos, com 26,4% dos entrevistados.

Em relação ao nível de escolaridade, 41% possuem ensino médio. Já na divisão por renda, a maior parcela (27%) declarou ter renda familiar mensal de até R$ 2.000.

Fracasso da diplomacia ucraniana

Andrei Melnik, ex-embaixador no Brasil e atual enviado de Kiev à ONU, admite que os esforços para estreitar laços com o governo brasileiro fracassaram.

Ele atribui a fraca presença ucraniana na América Latina à falta de investimentos e de pessoal qualificado, comparando a situação com a atuação mais estruturada da diplomacia russa na região:

"Eles investiram recursos, tempo e cérebros na região", afirmou, ressaltando que em todo o sistema do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, em comparação, ''há literalmente poucas pessoas, diplomatas de nível baixo e médio, que sabem português''. ''Estou literalmente sozinho lá, não tenho ninguém com quem trabalhar", queixa-se.

Seu próprio legado na condição de representante do regime de Kiev no Brasil, no entanto, é marcado por polêmicas. Em uma entrevista à imprensa ucraniana, ele se referiu ao país latino-americano como ''a imoral terra brasileira'', tendo tecido duras críticas à política externa conduzida pelo Itamaraty, chegando a sugerir que o país não tem o potencial de exercer a posição de liderança a que se propõe:

''O Brasil, e especialmente seu atual governo, tem grandes ambições. Às vezes, essas ambições excedem suas capacidades. Eles querem jogar seu próprio jogo. E graças à China, que tem sido seu principal parceiro comercial e político por muitas décadas, eles estão tentando conquistar esse papel para si mesmos''.