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Resultado do BRICS: Insulina 100% brasileira começa a ser produzida para abastecer o SUS

Iniciativa do Ministério da Saúde prevê fabricação anual de 45 milhões de doses com tecnologia transferida da Índia.
Resultado do BRICS: Insulina 100% brasileira começa a ser produzida para abastecer o SUSWalterson Rosa/MS

O Brasil voltou a produzir insulina de forma totalmente nacional após duas décadas. A retomada foi formalizada na sexta-feira (11), na fábrica da Biomm, em Nova Lima (MG), onde o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu o primeiro lote do medicamento.

A entrega marca um novo ciclo da produção local por meio de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), iniciativa que envolve a farmacêutica indiana Wockhardt, a empresa brasileira Biomm e o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed).

"Hoje é um dia histórico para a saúde pública brasileira. Depois de mais de duas décadas sem produzir insulina humana, o Brasil retoma essa fabricação para ser entregue ao Sistema Único de Saúde e contribuir com a saúde da população", declarou Padilha.

Ele destacou que o processo reforça a independência do país diante de crises globais e se referiu ao projeto como um resultado prático da articulação entre os países do BRICS.

"É o BRICS acontecendo na realidade, mudando a vida da população brasileira e gerando emprego, renda e tecnologia aqui em Minas Gerais". 

Foram entregues 207.385 unidades de insulina, sendo 67.317 frascos de insulina regular e 140.068 de insulina NPH. A expectativa é que, com a conclusão do processo de transferência de tecnologia, o Brasil seja capaz de produzir 50% da demanda dessas duas modalidades de insulina utilizadas no SUS, o que representa cerca de 45 milhões de doses por ano.

A fábrica da Biomm, considerada uma das mais modernas do mundo no setor de biotecnologia, foi visitada pelo presidente Lula em abril de 2024.

Na ocasião, um representante da empresa afirmou que a fábrica estava sendo reinaugurada para ser colocada à disposição do Brasil como uma unidade ultramoderna, entre as mais avançadas do mundo no setor de biotecnologia.  

A retomada faz parte da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, lançada em setembro de 2023, no âmbito do programa Nova Indústria Brasil.

"Com este programa, queremos fortalecer a indústria nacional de saúde e aumentar a produção nacional de itens prioritários no SUS", publicou o presidente Lula nas redes sociais neste domingo (13).

Segundo o Ministério da Saúde, o investimento total na aquisição da tecnologia foi de R$ 142 milhões e estima-se que aproximadamente 350 mil pessoas com diabetes serão beneficiadas diretamente. Os contratos preveem a entrega de 8,01 milhões de unidades de insulina entre 2025 e 2026 para a rede pública.

"A iniciativa traz segurança aos pacientes de que, independentemente de qualquer crise — como a que vivemos durante a pandemia —, o país tem soberania na produção desse medicamento tão importante", disse Padilha.

O ministro reforçou que cerca de 10% da população brasileira tem diabetes e parte dessas pessoas depende do uso contínuo de insulina.

Além das insulinas NPH e regular, o governo aprovou uma PDP para produção da insulina glargina, utilizada no tratamento de diabetes tipos 1 e 2. O projeto reúne a Fiocruz (Bio-Manguinhos), a Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee, com expectativa de produzir 20 milhões de frascos.

O Sistema Único de Saúde oferta atualmente quatro tipos de insulina, além de medicamentos orais e injetáveis. A partir da transferência completa da tecnologia, a produção será integralmente nacional, com etapas que vão desde o controle de qualidade até a fabricação do insumo farmacêutico ativo, reforçando a capacidade do Brasil de atender à demanda da população de forma soberana.