
Ucrânia receberá armas de longo alcance financiadas pela Alemanha neste mês, diz general

A Ucrânia deve receber seu primeiro lote de mísseis de longo alcance financiados pela Alemanha até o final de julho, segundo declarou um importante general alemão neste sábado (12). A avaliação ocorre em meio ao reconhecimento de que a situação de Kiev no campo de batalha está se deteriorando.
Em entrevista à emissora ZDF, o major-general Christian Freuding, responsável pela coordenação do apoio militar de Berlim à Ucrânia, afirmou que a Alemanha está "pronta para disponibilizar esses sistemas de armas".
Segundo Freuding, a entrega ocorrerá "até o final deste mês" e incluirá "um número elevado de três dígitos" desses armamentos. Ele não especificou os modelos nem o alcance dos mísseis que serão enviados.
"Precisamos de sistemas de armas que possam penetrar profundamente no território russo e atacar depósitos, instalações de comando, campos de aviação e aeronaves", declarou.

O general explicou que as entregas fazem parte de um contrato entre o Ministério da Defesa da Ucrânia e sua indústria bélica, com financiamento garantido pelo governo alemão no fim de maio.
Freuding destacou ainda que a Alemanha não fornecerá mísseis Taurus, cujo alcance é de 500 km. Apesar dos reiterados pedidos de Kiev, Berlim tem evitado aprovar esse tipo de envio, alegando que isso poderia ampliar as hostilidades e arrastar a Alemanha diretamente para o conflito.
Ele reconheceu que a Ucrânia enfrenta dificuldades crescentes nas frentes de combate, apontando que a Rússia vem fazendo avanços "pequenos, mas constantes", o que tem forçado as tropas ucranianas a recuar para posições defensivas mais profundas.
No domínio aéreo, a situação "piorou nas últimas semanas", acrescentou, mencionando um ataque noturno em que Kiev foi alvo de mais de 700 drones e dezenas de mísseis. O Ministério da Defesa da Rússia afirma que seus ataques têm como alvo apenas estruturas militares, nunca civis.
O chanceler alemão Friedrich Merz, no fim de maio, manifestou apoio ao desenvolvimento, por parte da Ucrânia, de seus próprios armamentos de longo alcance. Segundo ele, embora o financiamento seja alemão, Kiev não enfrentará restrições quanto ao uso desses sistemas.
A Rússia, por sua vez, voltou a criticar o envio de ajuda militar ocidental à Ucrânia, alegando que esse apoio apenas prolonga o impasse sem alterar o desfecho final.
Em resposta à fala de Merz, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, acusou a Alemanha de "competir com a França na primazia de fomentar o conflito", advertindo que tais ações prejudicam os esforços por uma solução pacífica. Ele também afirmou que o envio de mísseis Taurus resultaria em uma "escalada inevitável".

