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Kremlin reage às crescentes ambições militares da França no Ártico

Moscou "está determinada a defender seus interesses" na área do Ártico, enfatizou Dmitry Peskov, referindo-se à nova estratégia de defesa do país francês para a região.
Kremlin reage às crescentes ambições militares da França no ÁrticoMinistério de Defesa da Rússia

O Ártico deve ser um território de cooperação, não de confronto, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta sexta-feira (11), ao comentar a nova estratégia do Ministério da Defesa da França, que visa ampliar sua presença político-militar na região.

"No Ártico não devemos lutar, no Ártico devemos cooperar", afirmou Peskov a jornalistas, reforçando que a região "deve ser um território de cooperação".

O porta-voz destacou que a Rússia, como potência ártica com "seus interesses naturais", "continua a explorar os espaços do Ártico, interage com muitos países do mundo nessa área e continuará a fazê-lo". Ainda segundo ele, "dadas as tentativas bastante enérgicas de vários outros países em relação ao Ártico, a Rússia está determinada a defender seus interesses lá".

A nova estratégia francesa para o Ártico

Na última quinta-feira (10), o Ministério da Defesa francês divulgou um plano estratégico voltado ao fortalecimento da atuação militar do país no Ártico, embora a França não possua territórios na região. O documento afirma que a França "deve reforçar sua presença e suas capacidades militares" no Ártico.

"Os objetivos são claros: permitir que as Forças Armadas atuem efetivamente nessa área, garantir a responsabilidade internacional da França [...] e assegurar os suprimentos de energia e minerais da França e da UE", destaca o relatório.

Entre as medidas previstas, estão o fortalecimento da legitimidade francesa no Ártico, o aprofundamento de parcerias bilaterais com países da região — "por meio de exercícios conjuntos e sinergias de capacidades" — e o investimento em tecnologias adaptadas às condições extremas do território.

Reação de Moscou: "O futuro da Rússia está no Ártico"

Moscou tem alertado reiteradamente os membros da OTAN sobre os riscos da crescente militarização do Ártico. A Rússia sustenta estar "totalmente preparada para defender seus interesses em termos militares, políticos e técnico-militares".

"Agora está claro que o futuro da Rússia, entre outras coisas, e talvez em maior grau, está no Ártico, no desenvolvimento do Ártico, que estamos começando a explorar ativamente", declarou o presidente russo Vladimir Putin, no fim de junho.

Nos últimos anos, Putin autorizou uma série de medidas para reforçar a presença russa na região, incluindo a construção de novos quebra-gelos nucleares e o desenvolvimento de infraestrutura tanto em áreas militares quanto turísticas. 

Como parte de sua estratégia para neutralizar ameaças e acelerar o crescimento regional, a Rússia tem modernizado suas bases militares no Ártico, implantado sistemas de mísseis de defesa e atualizado sua frota de submarinos. Ao mesmo tempo, o país investe no desenvolvimento da pesca, da extração de petróleo e minerais e da infraestrutura econômica.

Apesar de suas condições extremas, o Ártico tem importância estratégica crescente. A região é vista como uma reserva crucial de matérias-primas, incluindo petróleo, gás natural e água doce, além de oferecer rotas marítimas encurtadas entre continentes, com potencial para atender a interesses comerciais e geopolíticos de diversas nações.

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