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Cúpula do BRICS é encerrada no Rio com apelo por reforma global e ações contra mudanças climáticas

Declaração final defende reestruturação da ONU e do FMI, condena conflitos armados e propõe maior cooperação econômica.

Foi encerrada nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro, a 17ª Cúpula do BRICS, que reuniu chefes de Estado, ministros e delegações convidadas ao longo de dois dias.

Sob o tema "Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável", o encontro resultou na assinatura da Declaração do Rio de Janeiro, documento que reforça o compromisso do bloco com a reforma da ordem internacional, a cooperação multilateral e o enfrentamento às desigualdades globais.

Em declaração conjunta, os países-membros e novos membros, defendem que instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisam ser reestruturadas para refletir as realidades contemporâneas e garantir maior representatividade aos países em desenvolvimento.

Ainda nesta segunda-feira, o presidente Lula oferece um jantar de gala às delegações, marcando a transição da presidência pro tempore do bloco para a Índia.

Economia

Na área econômica, os líderes expressaram "importância" com a adoção de tarifas unilaterais e reiteraram o apoio a um sistema de comércio multilateral mais justo. Também foi anunciada a criação do mecanismo de Garantias Multilaterais no âmbito do Banco do BRICS, voltado à redução de riscos em investimentos estratégicos no Sul Global.

A proposta de reforma do FMI, apresentada pelo Brasil e mencionada pelas autoridades do Ministério da Fazenda, deverá ser levada na próxima reunião do G20, na África do Sul .

O grupo também destacou a necessidade de avançar na segurança alimentar, defendendo a iniciativa da Bolsa de Grãos do BRICS como alternativa às estruturas tradicionais de precificação.

Geopolítica 

Em matéria internacional, os líderes condenaram os ataques contra o Irã e reafirmaram que tais ações violaram o direito internacional, a Carta da ONU e as normas da Agência Internacional de Energia Atômica. A declaração também manifestou apoio ao reconhecimento do Estado palestino e criticou o uso da fome como método de guerra na Faixa de Gaza. No contexto da crise na Ucrânia, foi reiterado o apoio a soluções diplomáticas.

A agenda da cúpula incluiu ainda a proposta de criação de um grupo de trabalho apoiado à cooperação espacial compatível, com o objetivo de evitar a militarização do espaço e garantir a segurança das atividades de todos os países. Também foi destacado o papel das mulheres na liderança global, com o compromisso de ampliar sua representação em instâncias decisórias .

Durante o encerramento, o presidente Lula respondeu às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre tarifas para países próximos ao BRICS. 

"Ele precisa saber que o mundo mudou. Não queremos imperador. Nós somos países soberanos. Se ele achar que ele pode taxar, os países têm o direito de taxar também", declarou Lula nesta segunda-feira.