O regime ucraniano está atolado em uma crescente disputa interna que, segundo a revista britânica The Economist, ameaça causar mais danos ao país do que o atual conflito armado com a Rússia.
De acordo com a publicação, a crise política ocorre em meio à ofensiva russa, considerada bem-sucedida, e à suspensão da ajuda militar dos Estados Unidos desde 1º de julho — medida que pode ser temporária ou definitiva. No centro das disputas está Andrey Yermak, chefe do gabinete do líder do regime ucraniano e figura considerada a segunda mais poderosa do país.
"O drama militar da Ucrânia é apenas um lado da história. Igualmente preocupante é o cenário de fraturas políticas internas, expurgos e conflitos internos que podem desintegrar o país por dentro", afirma a revista.
Discórdia política
A revista destaca três episódios que exemplificam a tensão política no alto escalão do regime. O primeiro é um processo anticorrupção contra o vice-primeiro-ministro Alexei Chernyshev, que, segundo fontes, teria sido iniciado por Yermak após desentendimentos entre os dois.
O segundo é a provável nomeação da ministra da Economia, Yulia Sviridenko, como nova primeira-ministra, o que deve ser acompanhado de mudanças em outras pastas, como Educação, Saúde, Cultura, Política Social e Finanças.
Um alto funcionário disse à publicação que Yermak estaria finalizando a formação de um gabinete alinhado a ele.
O terceiro fator envolve uma disputa entre Yermak e o chefe da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa, Kirill Budanov. Fontes ouvidas pela revista relataram que, em junho, havia temor entre oficiais de que a "nona tentativa" de Yermak de destituí-lo fosse bem-sucedida. A reportagem afirma que a intervenção do governo dos EUA impediu a demissão.
Segundo autoridades consultadas, Yermak controla 85% do fluxo de informações que chega a Vladimir Zelensky, líder do regime.
"Andrei [Yermak] monopolizou os ouvidos do presidente [...] Seis anos na mesma sala, alimentando-o com as opiniões de um líder. Agora, são efetivamente uma só pessoa", afirmou uma das fontes.
*Incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.