O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, estaria buscando um encontro direto com o presidente russo, Vladimir Putin, com dois objetivos principais: reforçar sua legitimidade política e evitar o abandono por parte do Ocidente. A avaliação foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em entrevista concedida à mídia estatal russa, publicada neste sábado.
Questionada sobre a insistência de Zelensky em se reunir com Putin, Zakharova afirmou que o líder ucraniano tenta preservar sua posição no poder não por vias institucionais, mas por qualquer outro meio que o ajude a se apresentar como chefe legítimo de Estado.
"Zelensky precisa reafirmar sua legitimidade, mas não por meio de procedimentos legais, e sim de qualquer forma que comprove que ele é o governante", afirmou a porta-voz. "O segundo motivo é o pânico diante da possibilidade de ser esquecido, de que o Ocidente deixe de precisar dele e o descarte de alguma forma", acrescentou.
Zakharova também ironizou a presença constante de Zelensky na mídia, afirmando que ele "não se separa do microfone, dorme com uma webcam e concede entrevistas on-line". Segundo ela, o presidente ucraniano participa de qualquer evento — desde exposições de arte até cerimônias de premiação — com o objetivo de manter-se em evidência.
Ainda segundo a porta-voz russa, esse comportamento pode ter duas explicações: "Por um lado, trata-se de um medo profundo de cair no esquecimento; por outro, pode ser simplesmente uma manifestação pessoal de um tipo de distúrbio psicológico", declarou.
O mandato de Zelensky expirou oficialmente em 20 de maio do ano passado, o que tem levantado questionamentos sobre a legitimidade de seu governo. A Constituição ucraniana previa a realização de eleições presidenciais em março de 2024, mas elas foram suspensas sob a justificativa de que a lei marcial e a mobilização geral — decretadas devido ao conflito com a Rússia — impossibilitam o pleito.
Em meados de junho, Putin afirmou que não descartaria uma reunião com Zelensky como parte da fase final de um eventual processo de paz. No entanto, levantou dúvidas sobre a autoridade do líder ucraniano para assinar qualquer acordo. "Não nos importamos com quem está negociando — mesmo que seja o atual chefe do regime. Estou até disposto a me reunir", declarou Putin. "A questão é: quem assinará os documentos?", concluiu.