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ONU pede rompimento com Israel por crimes de genocídio e apartheid em Gaza

Relatora cobra que empresas encerrem vínculos com economia ligada à destruição e deslocamento de palestinos.
ONU pede rompimento com Israel por crimes de genocídio e apartheid em GazaGettyimages.ru / Khames Alrefi/Anadolu

A situação na Palestina é "apocalíptica" e Israel está conduzindo "um dos genocídios mais cruéis da história moderna". A afirmação é de Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, em pronunciamento público feito na quarta-feira (3), durante sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Suíça.

Este genocídio faz parte de um "projeto colonialista de apagamento de longa data", que tem os palestinos como alvo há mais de sete décadas. (...) Devemos pará-lo", declarou. Segundo ela, a população em Gaza sofre com condições "além da imaginação".

''Economia de genocídio''

As declarações ocorrem dias após a divulgação de seu relatório sobre o papel de empresas na sustentação da ocupação e dos crimes contra a população palestina. O documento identifica o funcionamento de uma "economia de genocídio", alimentada por corporações dos setores militar, tecnológico, financeiro, acadêmico e de infraestrutura.

A investigação aponta que mais de mil empresas atuam direta ou indiretamente na manutenção do aparato de dominação e repressão contra os palestinos. O relatório detalha como essas entidades fornecem armamentos, vigilância, inteligência artificial, logística e serviços para a destruição sistemática de comunidades, deslocamento forçado e apropriação de recursos.

Segundo a relatora, empresas que mantêm vínculos com essas estruturas podem ser consideradas cúmplices de violações do direito internacional, incluindo crimes de guerra, apartheid e genocídio. O texto destaca que essas companhias e seus executivos devem ser responsabilizados civil e criminalmente.

Mortes em centros de ajuda se tornam rotina

De acordo com a emissora Al Jazeera, ao menos 138 palestinos foram mortos nas últimas 24 horas por ataques israelenses. Um dos bombardeios mais letais ocorreu em al-Mawasi, região de Khan Younis antes classificada como "zona humanitária segura", onde ao menos 15 civis morreram.

A rede também informa que 613 palestinos foram assassinados desde o final de maio em áreas próximas a centros de distribuição de ajuda. Esses locais, operados pela Gaza Humanitarian Foundation, têm sido descritos por organizações de direitos humanos como "matadouros humanos".