Notícias

Pesquisadores recriam 'cheiro do inferno' a partir de documentos dos séculos XVI e XVII

Projeto europeu utiliza inteligência artificial para preservar e reconstruir aromas históricos, incluindo interpretações sensoriais do passado como o odor atribuído ao inferno.
Pesquisadores recriam 'cheiro do inferno' a partir de documentos dos séculos XVI e XVIIOdeuropa2025

Mediante uma combinação de conhecimentos multidisciplinares e tecnologias de inteligência artificial, uma equipe de pesquisadores embarcou no ambicioso projeto de preservar os aromas da Europa do passado, chamado de Odeuropa.

Trata-se de um banco de dados único e especialmente desenvolvido que contém mais de 2,4 milhões de descrições históricas de odores, segundo a Comissão Europeia.

Como parte desse plano mais amplo, o doutor Tullett, da Universidade de York, no Reino Unido, utilizou os recursos do Odeuropa para recriar como "cheirava" o inferno, de acordo com a percepção de nossos antepassados. Esse repositório de informações evitou que o especialista tivesse de estudar arquivos em todo o continente durante anos.

Para reconstruir o "cheiro do inferno", Tullett analisou sermões dos séculos XVI e XVII e encontrou uma variedade de caracterizações, que vão desde um aroma familiar ao enxofre até associações com "um milhão de cães mortos".

O "fedor do inferno" resultante foi um dos doze aromas históricos apresentados no pavilhão europeu da Expo Mundial de 2025, no Japão, entre os quais também estavam o cheiro de incenso, mirra e os canais de Amsterdã, cada um com suas próprias especificidades emocionais, culturais e históricas.