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Com oposição feroz, Trump sanciona maior ajuste fiscal da história

Com oposição feroz, Trump sanciona maior ajuste fiscal da históriaGettyimages.ru / Anna Moneymaker

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou nesta sexta-feira (4), Dia da Inependência, seu polêmico pacote de corte de impostos e gastos, denominado "One Big Beautiful Bill Act" ["Um grande e belo projeto de lei, em inglês"].

A proposta foi aprovada no Congresso nesta semana por uma margem apertada, de 218 votos favoráveis contra 214 contrários

"O trabalhador merece mais"

O projeto enfrenta forte resistência entre parlamentares e figuras políticas — entre eles, o antecessor de Trump, Joe Biden. 

Por meio de uma publicação em suas redes sociais, Biden criticou duramente a proposta, alegando que ela enfraquece a classe trabalhadora, compromete programas de saúde pública e prejudica especialmente as zonas rurais e a população idosa. Segundo ele, os cortes foram desenhados para beneficiar bilionários. 

Outro crítico notório foi o líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, que protagonizou um extenso discurso de nove horas no plenário com o intuito de atrasar a tramitação da proposta.

Jeffries compartilha da visão de Biden: Para ele, o pacote representa um ataque direto aos programas sociais para abrir espaço a cortes fiscais voltados aos grandes magnatas americanos.

O projeto não conta com a aprovação, no entanto, do homem mais rico do mundo. Elon Musk, que chegou a integrar o núcleo de gestão do governo Trump, classificou o conjunto de leis como uma "aberração", mas depois deletou a mensagem. 

"Este projeto de lei de gastos do Congresso, enorme e ultrajante (...), é uma abominação repugnante. Que vergonha para quem votou a favor: vocês sabem que erraram. Vocês sabem disso", escreveu o empresário.

Apoio da base republicana

Apesar das críticas, o projeto conta com forte respaldo da base republicana. Em suas redes sociais, o presidente Trump afirmou que o Partido Republicano está "mais unido do que nunca" e declarou que a medida representa o início de uma "nova Era de Ouro" para os Estados Unidos. Segundo Trump, a adesão dos colegas de partido foi imediata.  

"O maior corte de impostos da história, ótimo para a segurança, ótimo para a fronteira sul, cobrimos a migração. Cobrimos praticamente tudo. Mais uma vez, é o maior projeto de lei já assinado desse tipo", declarou Trump. 

Especialistas divididos

A especialista Sharon Parrott, presidente do Center on Budget and Policy Priorities (CBPP), criticou duramente o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados durante entrevista publicada pelo The Guardian.  

Segundo ela, a proposta representa uma transferência maciça de recursos públicos das camadas mais pobres para os mais ricos. "É áspero. É cruel. Quem está sendo atingido são pessoas de renda baixa e média, justamente aquelas que o presidente e muitos deputados prometeram servir", declarou Parrott ao jornal.

De acordo com a análise do CBPP, os 10% mais pobres da população teriam uma perda média de US$ 1.600 por ano com a nova legislação, enquanto o 0,1% mais rico receberia, em média, um benefício fiscal superior a US$ 100 mil anuais

Por outro lado, o pesquisador Landon Derentz, diretor do Global Energy Center do Atlantic Council, avaliou positivamente aspectos estratégicos da nova legislação, especialmente no setor energético. Para ele, o projeto oferece "uma base robusta para a segurança energética americana, ao priorizar confiabilidade, autonomia e ampliação da capacidade de produção doméstica".  

Em artigo publicado no site da instituição, Derentz elogiou o foco do projeto em energia nuclear e infraestrutura crítica, destacando que essas medidas podem garantir estabilidade diante do aumento da demanda gerada por tecnologias emergentes, como a inteligência artificial.