Contratados dos EUA denunciam uso de munições reais contra Palestinos que buscam comida em Gaza

Relatos apontam uso de armas de fogo e granadas de efeito moral contra civis famintos; vídeos mostram tumulto em locais de entrega.

Funcionários norte-americanos responsáveis pela segurança em pontos de distribuição de ajuda humanitária em Gaza estariam disparando munição real, granadas de efeito moral e spray de pimenta contra palestinos que tentam obter ajuda humanitária.

A denúncia foi feita por dois funcionários das equipes de segurança, sob anonimato, em entrevista à Associated Press divulgada nesta quarta-feira (2). Eles justificaram sua decisão de relatar a situação por considerarem as práticas "perigosas e irresponsáveis".

Segundo eles, os profissionais de segurança atuando nesses locais estariam fortemente armados, sem treinamento adequado, e "pareciam ter liberdade para fazer o que quisessem".

Um dos relatos menciona disparos em diversas direções, inclusive no chão, para o alto e, em certos momentos, "em direção aos palestinos". O contratado disse acreditar que, em pelo menos uma ocasião, uma pessoa foi atingida. "Há pessoas inocentes sendo feridas. Gravemente. Desnecessariamente", destacou.

Imagens fornecidas à agência mostram multidões de palestinos reunidos entre portões de metal, tentando acessar os mantimentos, enquanto sons de tiros, explosões de granadas e gritos de dor são registrados.

Em outros trechos, homens que falam inglês conversam sobre formas de dispersar os grupos e reagem a disparos com encorajamentos mútuos.

Os relatos indicam ainda que os funcionários norte-americanos que monitoram os locais identificam e registram pessoas consideradas "suspeitas", repassando essas informações ao Exército de Israel.

Jornalistas foram impedidos de acessar os locais de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza (GHF, em inglês) para verificar os relatos. Um porta-voz da Safe Reach Solutions, empresa de logística sub-contratada pela GHF, afirmou à AP que nenhuma pessoa se feriu gravemente nos locais de distribuição. Segundo o funcionário, somente foram disparadas 5 munições no chão e longes de pessoas para "chamar sua atenção".