Amorim critica aumento de gastos militares da OTAN: 'é uma barbaridade'

O alto diplomata apontou para o ''risco muito grande'' de uma grande guerra mundial.

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como "uma barbaridade" o plano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de elevar os gastos de defesa de seus países-membros para 5% do PIB. A declaração foi dada em entrevista à Agência Pública, na qual o diplomata também alertou para o crescente risco de um conflito global.

"Você tem hoje uma guerra na Europa, em que um lado está a Rússia, do outro a Ucrânia, mas não é a Ucrânia sozinha. Tem a Europa aumentando para 5% em cada país os gastos de defesa. É uma barbaridade", afirmou.

O aumento dos orçamentos militares na Europa reflete uma mudança promovida durante o governo do presidente Donald Trump, quepressionou diretamente os países da OTAN a ampliarem seus investimentos na área de defesa.

Segundo Amorim, o cenário se torna ainda mais preocupante quando se observa o envolvimento dos Estados Unidos em um outro conflito armado, neste caso, no Oriente Médio, ao lado de Israel contra o Irã.

Para o diplomata, os órgãos multilaterais responsáveis por conter esse tipo de escalada já não possuem mais eficácia. Amorim apontou que o Conselho de Segurança da ONU perdeu sua capacidade de mediação, tornando urgente a criação de uma nova ordem internacional.

"A ordem internacional tal como ela foi desenhada [...] acabou", declarou o assessor especial.

"Amigos da Paz"

Apesar do agravamento dos conflitos e do descrédito nas instituições multilaterais, Amorim disse ainda acreditar que o "bom senso" pode prevalecer entre os líderes globais.

Ele destacou a criação do "grupo Amigos da Paz, iniciativa de Brasil e China na ONU", como um exemplo de esforços diplomáticos alternativos. 

Amorim defende o fortalecimento do diálogo entre países influentes, como China e Rússia, e vê no Brasil um papel relevante nesse processo.

"A gente vai fazendo o possível e acreditando que vai funcionar", concluiu.