Gustavo Petro denuncia formalmente ex-chanceler acusado de conspiração

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, apresentou nesta quarta-feira (2) uma denúncia formal contra o ex-ministro das Relações Exteriores, Álvaro Leyva, junto à Promotoria do país.
Petro acusa Leyva de traição à pátria por seu suposto envolvimento em uma trama que teria como objetivo removê-lo do cargo com o apoio dos Estados Unidos.
"A acusação de traição deve ser compreendida em um contexto muito claro: Leyva é ex-chanceler deste governo, e, nessa condição, não poderia buscar apoio de um governo estrangeiro para exercer pressão com o intuito de romper a ordem constitucional e provocar a saída anormal do presidente Petro do cargo. Isso é inadmissível", afirmou o advogado Alejandro Carrasco, representante legal do presidente, durante entrevista.
Entenda o caso
O escândalo veio à tona no último domingo (30), após o jornal El País divulgar gravações de áudio que revelariam uma suposta conspiração liderada por Álvaro Leyva. O objetivo seria destituir o presidente colombiano e transferir o controle do Executivo à vice-presidente Francia Márquez.
Em um dos áudios vazados, Leyva menciona a formação de um "grande acordo nacional" para afastar o presidente, articulando um conluio que envolveria setores tanto da esquerda quanto da direita do país. O antigo chanceler acusa Petro de ser um "homem errático e viciado em drogas".
A vice Francia Márquez nega qualquer participação na conspiração. No entanto, é de conhecimento público que a relação entre ela e o presidente Gustavo Petro atravessa um período de tensão, que aumentou em intensidade a partir das notícias recentes.
Ainda segundo as gravações, o ex-chanceler teria buscado apoio nos Estados Unidos, mas nem o presidente Donald Trump nem Marco Rubio, atual responsável por assuntos externos, demonstraram interesse em apoiar a trama.
Como a constituição colombiana proíbe a reeleição, Petro não poderá disputar as próximas eleições presidenciais, previstas para 2026. No entanto, o presidente defende a formação de uma Constituinte, que poderia alterar as diretrizes do regime político do país.
