O jornalista palestino Anas Hawari, 28, foi submetido a um interrogatório discriminatório ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio, em 23 de junho, informou a Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (2) com base em seu relato.
Ele chegou ao Brasil para participar da GlobalFact, conferência internacional de checagem de fatos.
Hawari vive em Nablus, na Cisjordânia, com a mulher e o filho, e atua há dez anos como jornalista. Atualmente trabalha no portal de checagem palestino Tayqan.
Mesmo com convite oficial para o evento, foi separado pela Polícia Federal logo após mostrar seu passaporte palestino na imigração.
Conduzido a uma sala sem explicações, foi interrogado por vários agentes. Segundo relatou, as perguntas passaram rapidamente de informações pessoais para suspeitas sobre o Hamas.
"Agora vamos para a pergunta mais importante: qual é a sua opinião sobre a guerra entre Israel e o Hamas?", teria dito um dos agentes.
Ele foi questionado repetidamente sobre supostos vínculos com o grupo e possíveis treinamentos militares. "Eu estava sorrindo, mas de incredulidade. Estava chocado. Eu respondi várias vezes que era só um jornalista e checador, só isso."
Ao final, os agentes tiraram uma foto sua em frente a um fundo branco, como em uma ficha criminal. "Por um momento, parecia que eu era um criminoso." Apesar de ter aproveitado a conferência, a experiência deixou marcas. "Foi uma péssima experiência. Não quero viajar para o Brasil de novo."
A Polícia Federal disse que iria apurar o caso, mas não respondeu aos pedidos de esclarecimento.