Ex-presidente do Equador critica sistema político brasileiro e diz que renunciaria no lugar de Lula

Ex-presidente do Equador afirma que governar com Congresso hostil consome energia e paralisa mudanças.

O ex-presidente do Equador Rafael Correa afirmou que não suportaria governar o Brasil nas atuais condições enfrentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta terça-feira (1), Correa afirmou que renunciaria caso estivesse diante de um Congresso bicameral e de maioria opositora.

"Se eu fosse ele, ficaria louco. Não conseguiria governar com um Congresso de duas câmaras e com tantos membros contra mim. Anteciparia as eleições e, se não ganhasse, apresentaria minha renúncia". 

Correa esteve em São Paulo para gravar episódios do programa que comanda na RT en Español. No roteiro de entrevistas, nomes como Emir Sader, Frei Betto e Guilherme Boulos. Sobre Boulos, Correa destacou: "Ele tem inteligência e compromisso real. Nota-se por seu passado, uma pessoa que nasceu na classe média e decidiu ir para a rua ficar com os que não tinham casa". 

Em meio a debates sobre reeleição, o equatoriano defendeu que a alternância de poder nem sempre é viável em contextos de instabilidade. "A alternância virou um valor burguês que nem sempre se aplica. Às vezes não há alternativa. Se um presidente está indo bem, é melhor que continue, sempre seguindo a lei", afirmou.

Para ele, líderes populares com projetos de transformação precisam permanecer mais de um mandato. "Não se criam líderes por mágica. Se criamos um sucessor e este não tem a mesma transcendência, o que fazer? Aí dizem que não queremos largar o poder. Mas é porque não há substituto à altura".