Notícias

'Minha mãe analfabeta me ensinou a não dever', diz Lula sobre dívida quitada com o FMI

Durante discurso no Plano Safra, Lula relembrou decisão de não renovar acordo com o Fundo e criticou ex-ministros.
'Minha mãe analfabeta me ensinou a não dever', diz Lula sobre dívida quitada com o FMIGettyimages.ru / Buda Mendes

Durante o lançamento do Plano Safra 2025/2026 nesta terça-feira (1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva relembrou a decisão de quitar a dívida brasileira com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2005, no seu primeiro mandato, e afirmou que tomou a decisão com base no que aprendeu com a própria mãe, que era analfabeta.

"Este país já teve ministro da Fazenda, sabe, que achava que era inteligente porque viajava o mundo enganando o FMI. Adoravam contar mentira: 'Vou fazer tal coisa' — e nunca fez", disse o presidente durante discurso no Palácio do Planalto, em tom de crítica a gestões passadas.

Lula relatou que chamou o então diretor-gerente do Fundo, o alemão Horst Köhler, para uma conversa direta.

"Eu falei para ele: 'Eu não quero mais ninguém do FMI visitando o Brasil. Eu aprendi a ter responsabilidade com a minha mãe analfabeta, que me ensinou o que é ser sério, o que é ser responsável. E eu vou pagar a dívida que eu tenho com o FMI. Eram 30 bilhões'", afirmou.

Segundo o presidente, mesmo diante da resistência do Fundo, que oferecia manter o acordo com base na confiança, ele recusou qualquer tipo de flexibilização. "Ele falava: 'Não... Eu não quero dinheiro, não precisa, Lula. O FMI confia no Brasil'. Eu falei: 'Eu não quero saber de confiança. Eu aprendi com a minha mãe: eu não quero dever'", completou.

Na fala, Lula destacou ainda que as reservas acumuladas desde então seguem como base da economia brasileira. "E juntamos 370 bilhões de dólares, que é o que sustenta esse país até hoje. É o que sustenta esse país até hoje", disse.

Relembre:

A quitação da dívida marcou o fim de décadas de dependência do Brasil em relação ao Fundo, período em que o país recorria a empréstimos e se submetia a programas de austeridade fiscal e cortes em investimentos.

Em 2005, Lula decidiu não renovar o acordo firmado pelo governo anterior. "Hoje, não devemos um centavo, e o FMI não manda mais na gente. Agora, somos nós que decidimos nossa política econômica", afirmou à época, em pronunciamento público.

Quatro anos após o pagamento da dívida, o Brasil passou a integrar o grupo de países credores do FMI, emprestando 10 bilhões de dólares ao Fundo em outubro de 2009 para apoiar economias emergentes durante a crise financeira global. A medida representou uma virada histórica no papel do país no cenário econômico internacional.