Eslováquia aponta para risco de 'Terceira Guerra Mundial' e fala em 'perdoar' Rússia

Autoridades eslovacas se opõem à introdução de novas sanções e defendem a retomada de negociações com Moscou.

O ministro das Relações Exteriores da Eslováquia, Juraj Blanar, declarou que o conflito na Ucrânia não pode ser resolvido por meios militares e pediu que as nações do Ocidente retomem o diálogo direto com a Rússia.

Durante participação em um programa da emissora pública eslovaca STVR, no domingo (29), Blanar alertou que o agravamento das tensões pode levar a uma guerra em escala global.

"Não queremos que uma guerra entre a Rússia e a OTAN estoure, porque isso significaria a Terceira Guerra Mundial. Queremos que o conflito seja resolvido de forma pacífica", afirmou, segundo a imprensa local.

Blanar destacou a importância da diplomacia, defendeu o retorno ao "respeito ao direito internacional" e sugeriu que o Ocidente encontre uma forma de diálogo com Moscou, "talvez até perdoando tudo o que aconteceu".

A Eslováquia, ao lado da Hungria, tem defendido medidas de distensão e se oposto a novas sanções da União Europeia contra a Rússia.

O presidente eslovaco, Peter Pellegrini, também pediu que os Estados-membros do bloco retomem as conversas diretas com Moscou, rejeitando propostas de ampliação militar rápida da OTAN. Ele argumenta que os gastos com defesa devem refletir as prioridades nacionais, e não o temor em relação à Rússia.

Autoridades russas criticaram a decisão anunciada na semana passada pela aliança militar, que estabeleceu que os países-membros elevem seus orçamentos militares para 5% do PIB, sob o argumento de conter a suposta ''ameaça de longo prazo representada pela Rússia à segurança euro-atlântica''.

''Alegações absurdas''

O Kremlin reiterou repetidas vezes que não tem intenção de atacar nenhum Estado-membro da OTAN, classificou as alegações como "absurdas" e táticas de intimidação usadas por autoridades ocidentais para justificar o aumento de gastos militares.

Moscou afirma manter o compromisso com uma solução diplomática para o conflito na Ucrânia. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou que qualquer acordo duradouro precisa incluir o reconhecimento da situação "no terreno" e a neutralidade ucraniana.

Segundo o líder russo, Moscou e o regime de Kiev continuam em contato sobre uma possível terceira rodada de negociações. Após encontros anteriores realizados na Turquia, as partes já trocaram propostas preliminares de paz e realizaram uma série de trocas de prisioneiros.