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Petro critica inércia do FMI: 'principal sócio se diverte' com bombas e genocídio

O presidente ainda questionou o tratamento concedido ao Brasil em mecanismos como o DEG, dedicados à crise climática.
Petro critica inércia do FMI: 'principal sócio se diverte' com bombas e genocídioX / @CancilleriaCol

Nesta segunda-feira (24), o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que a falta de reformulação do Fundo Monetário Internacional (FMI) frente aos principais desafios globais justifica a extinção do órgão.

A declaração foi feita durante a IV Conferência Internacional da ONU sobre Financiamento ao Desenvolvimento, realizada na cidade espanhola de Sevilha.

Petro questionou a ausência de representantes dos Estados Unidos e da direção do fundo no evento, que discutia mecanismos de financiamento para países do Sul Global.

"Se o FMI continuar nessa posição, nós – o povo, a humanidade – temos que dar uma resposta. Se o FMI não é capaz de se reestruturar já diante dos principais problemas da humanidade, porque seu sócio principal [EUA] está se divertindo lançando bombas e associado a um genocida [Israel], então o FMI deve ser liquidado como instituição multilateral do mundo. E seria necessário construir outra, ou, caso contrário, a espécie humana perecerá."

Em seu discurso, o presidente colombiano criticou a concentração de poder dos EUA dentro do fundo e citou a necessidade de repensar instrumentos como os direitos especiais de giro (DEG) e o conceito de risco país. Ele argumentou que esses mecanismos penalizam nações com papel estratégico no combate à crise climática.

"Como o Brasil, que tem a selva amazônica e é pulmão da humanidade, tem mais risco do que os EUA, que são a chaminé da contaminação do planeta?", questionou Petro, sugerindo a emissão de DEG em troca da redução da dívida externa de países em desenvolvimento.

Segundo ele, o FMI ignorou propostas recentes sobre reestruturação financeira apresentadas por Alemanha, França, Colômbia e Quênia, além de recomendações do Vaticano.

"Aqui não veio Georgieva, aqui não veio o principal acionista do FMI, os EUA", afirmou. "O FMI segue sendo o mesmo de antes."