
EUA suspendem sanções à Rússia que bloqueavam construção de usina nuclear em país da UE

Os Estados Unidos suspenderam as sanções que impediam o banco russo Gazprombank de realizar transações financeiras relacionadas à construção da usina nuclear Paks-2, na Hungria. A decisão foi tomada na última sexta-feira pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), que autorizou o Gazprombank e outros bancos russos a fazerem negócios "relacionados à energia nuclear civil".
O projeto Paks-2 começou em 2014, a partir de um acordo entre a Rússia e Hungria. Ele prevê a construção de dois reatores nucleares pela gigante Rosatom, que vai contar com um empréstimo russo de € 10 bilhões (US$ 11,7 bilhões) para cobrir a maior parte do custo total, estimado em € 12,5 bilhões.
A usina é considerada essencial para garantir o fornecimento de energia do país. Ela será construída ao lado da atual usina nuclear de Paks, a única em funcionamento na Hungria, responsável por cerca de metade da eletricidade gerada no território.

A obra deveria ter começado no ano passado, mas as sanções dos EUA ao Gazprombank — o banco que financia o projeto — acabaram paralisando a construção. Desde então, o governo húngaro vinha pedindo uma exceção a Washington.
Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, confirmou, em suas redes sociais, que os EUA suspenderam as restrições. Segundo ele, decisões políticas anteriores dos norte-americanos colocaram a Hungria em uma situação difícil, ao praticamente impedir a continuidade do projeto.
"Felizmente, desde janeiro, há um presidente em Washington que vê a Hungria como um país amigo" afirmou Szijjarto, que também destacou que a retomada do projeto é importante para garantir energia suficiente para o país até meados da década de 2030.
A Hungria tem se posicionado contra as sanções ocidentais sobre a energia russa desde o início do conflito na Ucrânia, em 2022. O país argumenta que depende dessas importações para manter sua segurança energética.
Budapeste possui acordos com a Gazprom e importa a maior parte de seu petróleo e gás da Rússia, com isenções especiais dentro da União Europeia. Recentemente, a nação húngara também barrou uma proposta da Comissão Europeia que queria acabar com o gás russo até 2027, dizendo que a iniciativa colocaria a segurança energética do país em risco e aumentaria os custos.
Além do Gazprombank, a licença dos EUA também suspende restrições para transações civis ligadas à energia nuclear envolvendo outros bancos russos, como o Banco Central da Rússia, o Sberbank (maior banco do país), VTB, Alfa-Bank, Rosbank, Otkritie, Vnesheconombank, entre outros.
A medida acontece em um momento de maior abertura diplomática entre Rússia e Estados Unidos, em meio a conversas sobre uma possível solução pacífica para o conflito na Ucrânia.

