
Moscou acompanha tensão na Armênia, mas descarta interferência

A crise política na Armênia é uma questão interna, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, após a prisão de altos clérigos e de um empresário russo-armênio acusado de conspirar para derrubar o governo do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.

No início do mês, as autoridades armênias detiveram o arcebispo Bagrat Galstanyan, líder do movimento opositor Luta Sagrada, e o arcebispo Mikael Adjapahyan. Ambos são acusados de planejar um golpe de Estado. As prisões provocaram protestos e confrontos com a polícia.
Os arcebispos são figuras centrais da Igreja Apostólica Armênia (IAA), principal promotora das manifestações contra Pashinyan. A agitação teve início após a decisão do primeiro-ministro de devolver várias aldeias fronteiriças ao Azerbaijão.
Embora Pashinyan tenha justificado a medida como necessária para normalizar as relações com o país vizinho, muitos na Armênia consideraram a decisão uma traição aos interesses nacionais.
Também foi detido Samvel Karapetyan, bilionário russo-armênio e apoiador da IAA, sob a acusação de incitar a derrubada do governo.
Em entrevista ao jornalista russo Pavel Zarubin, Peskov declarou que Moscou acompanha de perto a situação, mas não pretende intervir.
"Esta é, naturalmente, uma questão interna da Armênia", afirmou. "Estamos, claro, interessados na preservação da lei e da ordem na Armênia, para que o país seja próspero, estável e amigável com a Rússia."
Peskov observou que a Rússia abriga uma grande diáspora armênia, muitos dos quais "acompanham esses acontecimentos com dor", acrescentando: "Muitos, evidentemente, não aceitam o modo como isso está ocorrendo".
Rússia e Armênia mantêm laços históricos culturais e religiosos. Nos últimos meses, no entanto, Erevan se distanciou da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC), que reúne várias ex-repúblicas soviéticas.
A Armênia acusa a Rússia de não oferecer apoio suficiente durante o impasse com o Azerbaijão, especialmente em relação à região de Nagorno-Karabakh.
Moscou argumenta que a Armênia jamais reconheceu Nagorno-Karabakh como parte de seu território, o que impede a OTSC de considerar a operação militar do Azerbaijão na região como agressão contra um membro da aliança.
O presidente Vladimir Putin também declarou que a Rússia propôs várias vezes um compromisso territorial que poderia ter resolvido o conflito entre os dois países, mas que a Armênia rejeitou a iniciativa.

