Irã sobre ataque à base dos EUA: 'Não foi retaliação, foi autodefesa'

"Não era algo que realmente queríamos fazer. Tivemos que nos defender contra os ataques dos EUA às instalações nucleares pacíficas", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O ataque do Irã a uma base militar dos EUA no Catar na semana passada, após o bombardeio de Washington contra a infraestrutura nuclear da nação persa, "não foi um ato de retaliação", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, neste sábado (28).

"Foi no exercício do direito de autodefesa, de acordo com o artigo 51 da Carta da ONU, contra um ato de agressão não provocado pelos Estados Unidos", disse Baqhaei em entrevista à RT.

O ministro reiterou que o motivo para alvejar o território do Catar foi o fato de a base aérea de Al Udeid "pertencer aos Estados Unidos". "Isso não tem nada a ver com nosso país amigo, o Catar", afirmou, acrescentando que Teerã entrou em contato com Doha e explicou que a ofensiva não deveria ser vista como algo contra ele ou qualquer outra nação do Golfo Pérsico.

O porta-voz ainda enfatizou que a República Islâmica continua comprometida com sua política de boa vizinhança e está determinada a manter o respeito e as boas relações com as nações ao seu redor. "Acho que [nossos vizinhos] entenderam perfeitamente que não era algo que realmente queríamos fazer. Tivemos que nos defender dos ataques dos EUA a instalações nucleares pacíficas", concluiu. 

"Fomos atacados no meio do processo de negociação [...]. Os EUA e Israel torpedearam a diplomacia. Isso foi uma verdadeira traição à diplomacia", denunciou o porta-voz.

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