
Arcebispo armênio é preso após protestos contra o governo

O clérigo Mikael Adzhapajian, líder da diocese de Shirak da Igreja Apostólica Armênia, foi detido por dois meses sob acusação de ações anticonstitucionais neste sábado (28). No dia anterior, sexta (27), o início do processo criminal contra o arcebispo provocou protestos no país pós-soviético.
A mídia local informou que Adzhapajian foi transferido para um centro de detenção do Serviço de Segurança Nacional da Armênia.
🚨Fuerzas especiales irrumpen en el centro de la Iglesia apostólica armeniaLas fuerzas probablemente acudieron al lugar para detener al líder de la diócesis de Shirak, que se encuentran en la Sede Madre de la Santa Echmiadzin para participar en una reunión del clero. pic.twitter.com/iFCtacIIVn
— Sepa Más (@Sepa_mass) June 27, 2025
O processo criminal acusa Adzhapajian de incitar a população a tomar o poder, violar a integridade territorial da Armênia, renunciar à soberania ou derrubar à força a ordem constitucional.

Forças especiais invadiram a sede da Santa Echmiadzin, diocese do bispo-chefe da Igreja Apostólica Armênia e centro espiritual e administrativo da Igreja, onde Adzhapajian estava localizado, para prendê-lo.
O clero e os paroquianos tentaram impedir a entrada dos policiais uniformizados, o que resultou em confrontos e prisões.
Mais tarde, a polícia realizou, novamentem prisões à força em uma estrada rumo à capital Yerevan, quando um grupo seguia para a sede do Comitê Investigativo para apoiar o arcebispo. Outras detenções ocorreram nas proximidades da sede do Comitê, onde o clérigo permanecia detido.
Conflito entre governo e Igreja Apostólica Armênia
O episódio ocorre em meio ao acirramento das tensões entre o governo armênio e a Igreja Apostólica Armênia. As relações se deterioraram desde a chegada ao poder do premiê Nikol Pashinian, sobretudo em razão do conflito com o Azerbaijão. O patriarca Gareguin II já pediu diversas vezes a renúncia de Pashinian.
No fim de maio, o primeiro-ministro passou a publicar mensagens ofensivas nas redes sociais contra a Igreja Apostólica e contra Gareguin II, exigindo sua saída. O governo propôs alterar a forma de escolha do católico de Todos os Armênios, estabelecendo por lei o "papel decisivo da República da Armênia" na indicação do líder religioso.
Paralelamente, um tribunal armênio ordenou na semana passada a prisão por dois meses do empresário Samvel Karapetian, acusado de incitar a tomada do poder após declarar apoio público à Igreja Apostólica Armênia.

