Putin: 'Não somos nós que somos agressivos, mas o Ocidente'

O presidente afirmou que a OTAN enganou Moscou ao prometer não se expandir para o leste, o que provocou a operação militar especial na Ucrânia.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (27) que as acusações do Ocidente sobre uma suposta postura agressiva de Moscou são infundadas e que, na verdade, é o próprio Ocidente que age de forma hostil.

Durante entrevista coletiva, o presidente russo criticou os planos de rearmamento de países ocidentais, que justificam os investimentos com base em uma alegada ameaça russa, e sugeriu que se analise "a estrutura desses gastos planejados".

"Eu disse que consideramos a referência à agressão da Rússia completamente infundada. Não somos nós que somos agressivos, mas o Ocidente", afirmou.

Segundo o presidente, o Ocidente "está invertendo completamente a realidade". "Por quê? Porque tanto a escalada dos gastos militares quanto o atual frenesi militarista se sustentam em uma mesma narrativa: a suposta agressividade da Rússia. Mas, na verdade, ocorre exatamente o oposto", afirmou.

As mentiras da OTAN sobre não expandir para o leste

Vladimir Putin também afirmou que os países ocidentais passaram a tratar o início do conflito na Ucrânia, em 2022, como o marco zero de toda a crise. "E ninguém menciona como chegamos à necessidade dessa operação militar especial", destacou.

Segundo ele, os eventos que antecederam o conflito foram marcados por promessas não cumpridas da OTAN, que assegurou a Moscou que não se expandiria para o leste. "A aliança enganou grosseiramente a Rússia nesse ponto", acusou. "Todos sabem perfeitamente que foi prometido à Rússia que a OTAN não avançaria um centímetro para o leste. No entanto, vieram ondas sucessivas de expansão", criticou.

Durante esse processo, Putin ressaltou que Moscou reiterou, repetidamente, um princípio consagrado em documentos internacionais: a segurança de um país ou de um grupo não pode ser construída em detrimento da segurança de outro Estado. Mesmo assim, a aliança militar seguiu ampliando sua presença em direção às fronteiras russas.

O presidente lembrou ainda que, ao longo desse período, a OTAN tentou convencer Moscou de que a expansão não representava qualquer ameaça. "Quando respondemos que considerávamos isso uma ameaça direta […] simplesmente ignoraram nossa posição. Ninguém levou em consideração a nossa opinião", lamentou.

"Sabemos melhor o que nos ameaça e o que não nos ameaça. É nosso direito determinar o nível da nossa segurança e o nível das ameaças que podem nos atingir de um lado ou de outro", enfatizou. Comentando sobre essa falta de respeito pelas preocupações legítimas da Rússia, Putin perguntou: "Isso não é comportamento agressivo?". "Esse é o comportamento agressivo ao qual o Ocidente não quer dar atenção", enfatizou.