
Irã agradece posicionamento do Brasil no conflito com Israel e EUA

O Irã, através do seu embaixador no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadirli, agradeceu nesta quinta-feira (26) ao governo brasileiro por seus posicionamentos sobre as ofensivas de Tel Aviv e Washington.

"Nós expressamos nossos agradecimentos tanto pela primeira declaração do governo brasileiro, que condenou os ataques hostis" de Israel contra o Irã, "e também a segunda declaração, que foi feita condenando os ataques às nossas instalações nucleares pacíficas" pelos EUA, declarou o diplomata.
O diplomata recebeu a imprensa nesta quinta-feira na sede da representação diplomática do país persa, em Brasília. Na ocasião, garantiu que os recentes ataques promovidos por Israel e os EUA não impedirão o Irã de seguir seus "desejos" de enriquecer urânio.
Ghadirli ainda enfatizou que, devido às sanções norte-americanas, "Todo o processo, a tecnologia e a produção" para o enriquecimento de urânio foi desenvolvido internamente. "Portanto, não é importante para nós se eles [países] proíbem ou não, nós seguimos firmemente nossos desejos e interesses", sustentou.
Comentando sobre a possibilidade da fabricação e utilização de armas nucleares, o diplomata argumentou que o islamismo, doutrina oficial da República Islâmica do Irã, não permite o uso de "armamento de massacre".
"A matança de muitas pessoas não faz parte de nossa doutrina ou ideologia. E o nosso líder supremo [aiatolá Ali Khamenei] não autoriza qualquer tipo de uso de armas nucleares", ressaltou, explicando que a direção religiosa do aiatolá supera "quaisquer leis do Parlamento ou governo".
Assim, reiterou a finalidade pacífica do programa nuclear iraniano, afirmando que o enriquecimento de urânio tem como intenção primeira a produção de radiofármacos - medicamentos que contêm substâncias radioativas.
Durante a coletiva, o embaixador ficou à frente de um monitor exibindo imagens de diferentes pessoas, que teriam sido mortas por Israel nos últimos dias.
BRICS e Nova Ordem Mundial
Ghadirli concordou com Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, que falou do fim da "ordem mundial" após os bombardeios dos EUA contra o Irã. Nesse sentido, o BRICS tem um papel fundamental na criação de "um novo caminho".
"Os BRICS não existem apenas para publicar declarações, mas sim para criar um novo caminho, colocar em ordem as partes que estão falando à ordem internacional", afirmou o diplomata.
O embaixador comunicou que o governo iraniano está em "fase de programação" para a vinda do presidente Masoud Pezeshkian ao Brasil, para participar da cúpula do BRICS, marcada para os dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro. Sua participação, contudo, ainda não está confirmada.
Anteriormente, Amorim lembrou que quando os Estados Unidos tomou a decisão de invadir o Iraque em 2003, ao menos levou a questão ao Conselho de Segurança da ONU, em uma tentativa de legitimá-lo. "Como não conseguiu, agiu unilateralmente", prosseguiu.
''Agora não, nem sequer houve a tentativa. (...) Acabou a ordem mundial, acabou na área do comércio, acabou na área da paz e segurança. E a gente tem que se adaptar a essa realidade nova. Não será fácil", pontuou Amorim.

