Petro defende Constituinte e reacende debate sobre rumo institucional da Colômbia

Presidente quer usar próximas eleições para impulsionar mudança constitucional; oposição vê chavismo como "ameaça" e alerta para riscos à democracia representativa.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, voltou a defender publicamente a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, sinalizando a possibilidade de uma profunda reconfiguração do sistema político e institucional do país. As informações são do jornal El País.

Segundo ele, a intenção de convocar uma Constituinte é aproveitar as próximas eleições para impulsionar uma iniciativa popular que sustente essa transformação.

Em declaração recente, Petro afirmou que, caso o Tribunal suspenda a convocação da Consulta Popular, o povo colombiano reagirá exigindo "maciçamente" a instalação de uma Constituinte por meio das urnas.

A proposta se insere em uma estratégia comum a diversos governos na América Latina, onde processos constituintes têm sido utilizados como instrumentos de consolidação de reformas estruturais.

A iniciativa, no entanto, provocou forte reação da oposição, que acusa Petro de flertar com um modelo inspirado no chavismo venezuelano. Para seus críticos mais ferrenhos, a proposta representa um risco à estabilidade democrática e à separação de poderes na Colômbia.

Momento favorável

As notícias ocorrem em um momento favorável no que diz respeito ao relacionamento entre Petro e o Congresso, que segundo o El País, cedeu, nos últimos dias, ''em quase todas as reivindicações do presidente ao projeto de reforma trabalhista''.

A reforma aprovada suprimiu artigos que a oposição havia incorporado, que incluíam menções ao ''trabalho de meio período, um bônus extralegal para empresas com alto crescimento, a possibilidade de distribuir a jornada máxima semanal em quatro dias''.