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Moscou: tentativas de justificar ataque israelense ao Irã são cínicas

"A Rússia pede que o governo israelense imediatamente ponha fim aos ataques a instalações e locais nucleares", exigiu a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova.
Moscou: tentativas de justificar ataque israelense ao Irã são cínicasAP / Vahid Salemi

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou, nesta quinta-feira (19), como "cinismo flagrante" as tentativas de justificar a escalada do ataque de Israel ao Irã na semana passada com a justificativa de garantir não-proliferação.

"[A escalada] foi desencadeada pela agressão não provocada de Israel contra o Estado soberano do Irã, um membro das Nações Unidas, violando a Carta da ONU e as normas do direito internacional", afirmou.

Ela também se referiu às declarações oficiais da chancelaria russa, que expressam "forte condenação a essa aventura criminosa repleta de consequências catastróficas para a segurança regional e, de fato, global".

"As tentativas de justificá-la com preocupações imaginárias de não-proliferação são, claramente, um cinismo flagrante", enfatizou a porta-voz.

Ela destacou que o ataque israelense ocorreu em meio ao processo de negociações nucleares indiretas entre os EUA e o Irã, mediados por Omã, bem como da reunião do Conselho de Governadores da AIEA, onde o acordo nuclear com o país persa estava sendo discutido.

Para Zakharova, a "hipocrisia" das autoridades de alguns países da Europa Ocidental, que desencadearam uma "histeria anti-iraniana" na véspera da reunião dos líderes da AIEA, foi surpreendente. "Eles estavam, na verdade, incitando Israel à agressão. Agora, de forma surpreendente e estranha, estão exigindo que os iranianos retornem, como eles exigem, à mesa de negociações", observou.

"A Rússia insta o governo israelense a interromper imediatamente os ataques a instalações e locais nucleares que estão sob a proteção da AIEA e verificação da AIEA", apelou, apontando para "reação dura e intransigente" da maioria dos países, que demonstra, segundo ela, "rejeição" às hostilidades.

  • Desde as primeiras horas do dia 13 de junho, quando Israel lançou um ataque não provocado contra o Irã, as duas nações têm trocado bombardeios. A Rússia, a China e muitos países em todo o mundo condenaram veementemente a ofensiva israelense como uma grave violação da lei internacional e da Carta da ONU.
  • O presidente russo, Vladimir Putin, condenou os ataques em uma conversa com seu homólogo americano, Donald Trump, e expressou grande preocupação com uma possível escalada do conflito, que ''teria consequências imprevisíveis para toda a situação na região do Oriente Médio''. 
  • Na América Latina, várias nações, incluindo Brasil, Venezuela, Cuba e Nicaráguamanifestaram contrariedade às ações de Tel Aviv. Reações semelhantes vieram de países do mundo islâmico, incluindo Turquia, Arábia Saudita, Egito e Paquistão.