Os Estados Unidos estão dispostos a negociar com o Irã, mesmo que o país persa não tenha cumprido o prazo de 60 dias designado por Donald Trump para chegar a um acordo sobre seu programa nuclear, afirmou o presidente nesta quarta-feira.
Em uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, o presidente norte-americano lamentou a falta de um acordo entre os países: "Eles deveriam ter feito aquele acordo, 60 dias que nós conversamos sobre isso. E no final, eles decidiram não fazer". Contudo, Trump afirmou que agora Teerã deseja "se encontrar e vir na Casa Branca" para dialogar sobre um possível entendimento no assunto. "É uma pena que isso não pôde ter sido feito da forma fácil", complementou.
Ao ser questionado por jornalistas se o atual governo iraniano poderia ser destituído, Trump respondeu que "Claro. Tudo pode acontecer, certo?".
O presidente também esclareceu que a situação iraniana "já passou do ponto de cessar-fogo", rechaçando o uso do termo pelo seu homólogo francês, Emmanuel Macron, ao comentar o regresso antecipado de Trump para Washington da Cúpula do G7. "Um cessar-fogo indica que tudo está indo bem, vamos tirar um tempo. Não é", argumentou, declarando que os EUA desejam "uma vitória total e completa" que seria o impedimento de Teerã possuir armas nucleares.
Nesse sentido, o mandatário alegou que "acha" que o Irã estava "a algumas semanas" de conseguirem desenvolver armas dessa natureza. "E eles usariam. Eu acredito que eles usariam. Outros não vão usar, mas eu acredito que eles usariam. Então é isso, é muito simples, na minha visão, eles não podem ter uma arma nuclear", defendeu.
O presidente adiantou que irá celebrar uma nova reunião com seus assessores de segurança na sala de crise da Casa Branca, comentando que tem algumas ideias sobre o que fazer a respeito do Irã, porém ainda não tomou uma decisão final.
"Gostaria de tomar a decisão final um segundo antes do prazo, porque as coisas mudam, especialmente com a guerra. As coisas mudam com a guerra. Pode ir de um extremo ao outro", explicou.
- Desde as primeiras horas do dia 13 de junho, quando Israel lançou um ataque não provocado contra o Irã, as duas nações têm trocado bombardeios. A Rússia, a China e muitos países em todo o mundo condenaram veementemente a ofensiva israelense como uma grave violação da lei internacional e da Carta da ONU.
- O presidente russo, Vladimir Putin, condenou os ataques em uma conversa com seu homólogo americano, Donald Trump, e expressou grande preocupação com uma possível escalada do conflito, que ''teria consequências imprevisíveis para toda a situação na região do Oriente Médio''.
- Na América Latina, várias nações, incluindo Brasil, Venezuela, Cuba e Nicarágua, manifestaram contrariedade às ações de Tel Aviv. Reações semelhantes vieram de países do mundo islâmico, incluindo Turquia, Arábia Saudita, Egito e Paquistão.
Como as negociações sobre o programa nuclear do Irã levaram à ofensiva israelense? Entenda em nosso artigo.