Irã exige ação imediata da ONU contra ataques israelenses a instalações nucleares

Irã envia carta urgente à ONU denunciando agressões de Israel e pedindo reunião emergencial do Conselho de Segurança.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abas Araqchi, exigiu que a ONU tome medidas urgentes contra os recentes ataques de Israel, que atingiram instalações nucleares iranianas.

Em carta dirigida ao presidente do Conselho de Segurança e ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o chanceler descreveu as ações israelenses como uma "violação flagrante da soberania"do Irã e um risco concreto à estabilidade regional.

O governo iraniano classificou os ataques como uma afronta ao direito internacional e apelou por sanções contra Israel.

Conselho de Segurança se reúne em sessão emergencial

A sessão extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi convocada na sexta-feira (13), a pedido do regime iraniano, após o que descreveu como um ataque direto de Israel ao seu território.

Segundo o representante permanente do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, a ofensiva israelense teve como alvos principais instalações nucleares e membros das forças armadas do país.

Em carta urgente ao Conselho de Segurança, Iravani condenou o que chamou de "ações criminosas e provocativas" de Israel, com apoio dos Estados Unidos.

O diplomata afirmou que os ataques foram coordenados e visaram diretamente centros nucleares e infraestruturas civis, incluindo a instalação de Natanz, que está sob total supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.

Riscos de desastre nuclear e acusações de terrorismo de Estado

De acordo com a carta, o bombardeio às instalações nucleares expôs civis iranianos a riscos diretos e aumentou a possibilidade de um desastre radioativo de grandes proporções na região.

O documento classifica as ações como violações da Convenção sobre a Proteção Física de Materiais Nucleares, além de comprometerem obrigações legais assumidas pelo Irã no âmbito do acordo de salvaguardas nucleares.

O regime iraniano também destacou que Israel tem realizado uma série de operações de assassinato seletivo em Teerã, resultando na morte de altos comandantes militares e cientistas nucleares.

As ações foram descritas como exemplos claros de "terrorismo de Estado" e o documento alega que o primeiro-ministro israelense teria assumido publicamente a responsabilidade pelos ataques, o que seria uma admissão de crime internacional.

Violações ao direito internacional e resposta interna

O Irã declarou que as recentes ofensivas representam uma violação séria da sua soberania e da sua integridade territorial, constituindo crimes de guerra à luz do direito internacional humanitário.

"Essas ações violam gravemente o artigo 2º, parágrafo 4º, da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado", afirmou a representação iraniana na ONU.

Como iniciou o conflito

Na madrugada desta sexta-feira, o regime sionista realizou ataques contra Teerã e outras cidades iranianas, resultando na morte de comandantes militares, cientistas e civis.

Após os bombardeios, o líder supremo do Irã declarou que "o regime deve esperar uma punição severa. A mão poderosa das Forças Armadas da República Islâmica o alcançará, se Deus quiser."

O centro de gerenciamento de crises do país pediu calma à população, orientando que evitem ações precipitadas que possam gerar pânico, sigam apenas informações oficiais e colaborem com as equipes de resgate quando necessário.