Macron sustenta direito israelense à defesa após ataque contra Irã

O presidente francês alertou que a ação pode promover uma crise generalizada no Oriente Médio.

Após os bombardeios israelenses contra alvos militares e nucleares no Irã, nesta sexta-feira (13), o presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu o direito de defesa de Israel, mas alertou para o risco de uma crise generalizada no Oriente Médio.

Em comunicado divulgado na rede X, Macron afirmou: "A França reafirma o direito de Israel de garantir sua segurança", enquanto lembrou já ter "condenado repetidamente" o programa nuclear iraniano. 

O líder francês fez um apelo direto pela contenção. "Para evitar comprometer a estabilidade de toda a região, exorto todas as partes a agirem com máxima responsabilidade e a priorizarem a desescalada", escreveu. 

Segundo ele, o governo francês tomará "todas as medidas necessárias" para proteger seus cidadãos, assim como as instalações diplomáticas e militares na região. "A paz e a segurança de todos os povos do Oriente Médio devem ser nossa prioridade comum", disse, destacando que a França está "pronta para cooperar com seus parceiros internacionais na busca por uma solução diplomática". 

"Evitar o pior"

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, também se manifestou, destacando que "os Estados da região, inclusive Israel, têm o direito de se proteger e evitar o pior".

Durante visita à região de Bouches-du-Rhône, no sul do país, Bayrou alertou para os riscos de uma escalada descontrolada. "Estamos diante de uma situação de risco extremo para o equilíbrio mundial. É crucial impedir que isso leve a um colapso generalizado", afirmou, classificando o momento como "histórico" e "profundamente desafiador". "Tudo isso confronta os valores que defendemos", completou. 

O ministro Jean-Noël Barrot também pediu a diminuição das tensões. Em publicação na rede X, ele expressou "graves preocupações" com o avanço do programa nuclear iraniano e ressaltou a necessidade de acionar "todos os canais diplomáticos disponíveis" para conter a crise. 

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou, em vídeo, que o país se prepara para uma nova série de represálias iranianas.

Onda de ataques

"Esperamos ser alvos de múltiplas ondas de ataques por parte do Irã", declarou o primeiro-ministro israelense. Netanyahu revelou ainda que havia determinado, há seis meses, a destruição do programa nuclear iraniano, e que a operação estava originalmente prevista para o fim de abril de 2025. "Diversas circunstâncias nos impediram de executá-la naquela data, mas a ação era necessária", disse. 

Em resposta aos ataques, o governo iraniano classificou a ofensiva como uma "declaração de guerra". Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto a Teerã: se não houver avanço nas negociações com Washington, os próximos ataques israelenses podem ser "ainda mais violentos"

Novos amigos?

O presidente Emmanuel Macron tem crescentemente se posicionado contra as ofensivas israelenses na Faixa de Gaza, inclusive considerando o reconhecimento do Estado da Palestina.

Vale lembrar que o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, em entrevista recente à Fox News, classificou como "repugnantes" a postura da França em relação aos palestinos: "Se a França está realmente tão determinada a ver um Estado palestino, tenho uma sugestão para eles: que separem uma parte da Riviera Francesa e criem um Estado palestino lá", afirmou o diplomata.