Pesquisas indicam desaceleração do fenômeno protestante no Brasil

Embora o Estado brasileiro seja formalmente laico, o país tem mais instituições religiosas do que o número total de instituições educacionais e de saúde combinadas.

Contrariando todas as previsões, o crescimento dos evangélicos no Brasil vem perdendo força. Durante anos, projetou-se que este grupo alcançaria um terço da população atual. No entanto, os dados do Censo 2022, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que eles representam 26,9% da população.

Apesar da desaceleração, os evangélicos continuam sendo o segundo grupo religioso mais numeroso do país, apenas atrás dos católicos, que representam 56,7%. Ambos os setores estão muito acima de outros, como os espíritas (1,8%) e os praticantes de religiões de matrizes africanas, como a umbanda e o candomblé (1%).

De acordo com a mídia brasileira, essa mudança de ritmo levou vários especialistas a revisar as projeções sobre a evolução religiosa no país, que desde 1980 mostrava um avanço constante da população evangélica, passando de 6,5% naquele ano para 21,6% em 2010.

Diversidade ampliada

A publicação também alerta que classificar os fiéis em blocos homogêneos pode induzir ao erro. Tanto entre os católicos quanto entre os evangélicos existe uma grande diversidade de práticas, crenças e níveis de participação. No caso dos evangélicos, a pluralidade de denominações, doutrinas e posicionamentos dificulta uma leitura unificada do fenômeno.

Uma pesquisa do instituto Datafolha, realizada em São Paulo em 2024, revelou que muitos evangélicos não se sentem representados pelas ideias do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, apesar de seus esforços para se conectar com esse eleitorado. 

De acordo com outra pesquisa do Datafolha de 2022, 49% dos brasileiros afirmaram que a fé do candidato influencia sua decisão de voto. Por isso, é comum que políticos de diferentes partidos busquem se aproximar das igrejas e dos líderes religiosos durante as campanhas eleitorais.

Embora o Estado brasileiro seja formalmente laico e a Constituição garanta a liberdade religiosa, o Brasil possui mais estabelecimentos religiosos do que o total de instituições de ensino e saúde somadas. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta uma média de 286 edifícios religiosos para cada 100.000 habitantes, o que contrasta com 130 e 122 centros de ensino e saúde, respectivamente, por 100.000 habitantes.