Chefe da AIEA condena ataques à usina de Zaporozhie: 'absolutamente inaceitável'

Raphael Grossi não culpou a Ucrânia nominalmente por esses incidentes, observando que o mandato da AIEA é puramente técnico.

Os ataques à usina nuclear de Zaporozhie, a maior da Europa, são "inaceitáveis", afirmou o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Raphael Grossi, na sexta-feira (6).

Seus comentários foram pouco depois de as autoridades russas da região homônima relatarem vários ataques de drones contra a instalação, realizados por forças ucranianas.

A usina foi transferida para o controle russo em março de 2022, após os moradores da região votarem, de maneira amplamente favorável, em um referendo a favor da adesão à Rússia. Na mesma época, a AIEA enviou uma missão de monitoramento à instalação.

Falando a repórteres no aeroporto de Khrabrovo, na província russa de Kaliningrado, na sexta-feira, Grossi afirmou que "qualquer ataque a qualquer usina nuclear, em particular à usina nuclear de Zaporozhie, é absolutamente inaceitável".

Ele não culpou a Ucrânia nominalmente por esses incidentes, observando que o mandato da AIEA era puramente técnico.

Relembre:

No final de maio, as Forças Armadas da Ucrânia dispararam tiros de artilharia contra o território adjacente ao local da usina nuclear de Zaporozhie no dia do rodízio dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. 

À época, Grossi, observou que a área da usina é um "lugar perigoso", com "alto risco de incidentes", destacando que seus inspetores desempenham um papel importante e até simbólico: ''Afinal de contas, não estamos apenas verificando a situação, mas também desempenhando funções de mediação", declarou.

Já nesta quinta-feira (5), as forças ucranianas realizaram ataques contra a infraestrutura da usina nuclear. Segundo a instituição, os drones do exército de Kiev atingiram o telhado do prédio do centro de treinamento da usina, onde está localizado o único simulador de reator em escala real do mundo.