
Zelensky rejeita memorando russo com termos de cessar-fogo: 'não levamos a sério'

A Ucrânia rejeita e "não leva a sério" o memorando para a resolução da crise ucraniana entregue pelo lado russo durante a segunda rodada de negociações em Istambul, declarou o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, nesta quarta-feira (4).

Durante coletiva de imprensa, Zelensky descreveu o documento entregue pela delegação russa ao lado ucraniano como um "ultimato" ao justificar a decisão de Kiev e de alguns de seus parceiros ocidentais de "não levá-lo a sério".
O líder do regime ucraniano afirmou ainda que Kiev continuará propondo um cessar-fogo a Moscou até que os líderes das partes envolvidas no conflito se reúnam.
Segundo Zelensky, não faz sentido continuar as negociações em Istambul se nenhuma decisão concreta for tomada: "Estamos prontos para trocas, mas acho que não faz sentido continuar as reuniões diplomáticas em Istambul em um nível em que nada mais é decidido", disse.
Memorando russo
Durante a segunda rodada de negociações entre Rússia e Ucrânia em Istambul na segunda-feira (2), Moscou propôs um memorando a Kiev com pontos que, na visão da Rússia, são necessários para a resolução do conflito. Entre eles:
- Reconhecimento legal internacional da incorporação da Crimeia, da República Popular de Lugansk e da República Popular de Donetsk, bem como das províncias de Zaporozhie e Kherson, à Federação Russa.
- Neutralidade da Ucrânia, o que implica no impedimento do país em participar de alianças e coalizões militares;
- Rescisão pela Ucrânia de todos os acordos internacionais que sejam incompatíveis com seu status de neutralidade;
- Confirmação, por parte da Ucrânia, de seu status de Estado livre de armas nucleares ou outras armas de destruição em massa;
- Garantias de direitos, liberdades e interesses da população russa e de língua russa;
- Proibição da glorificação e propaganda do nazismo e neonazismo, entre outros pontos.
O documento também contém duas opções para um cessar-fogo: ou uma retirada completa das Forças Armadas da Ucrânia dos territórios russos ou um "acordo abrangente" que resolva as causas fundamentais do conflito.
